Rafael, 8 anos, possui paralisia cerebral com comprometimento da motricidade fina e dificuldades para a comunicação oral. Ele consegue movimentar de forma funcional o braço esquerdo e demonstra interesse em participar de jogos e interagir com colegas na escola, mas enfrenta dificuldades para expressar suas necessidades e opiniões. Durante a avaliação, o terapeuta ocupacional identificou que Rafael responde bem a estímulos visuais e auditivos e apresenta habilidades cognitivas preservadas. Rafael mora com a mãe e a avó em uma região periférica de uma grande cidade. A renda familiar é limitada, composta por um salário-mínimo proveniente do Benefício de Prestação Continuada, complementado por trabalhos esporádicos realizados pela avó como diarista. A equipe escolar e os familiares, estão empenhados em apoiar Rafael para que ele desenvolva sua comunicação e participe de maneira ativa nas atividades escolares e sociais. Com base no caso apresentado, a melhor intervenção do terapeuta ocupacional para atender às necessidades de comunicação de Rafael, seria
- A)desenvolver uma prancha de comunicação digital personalizada, utilizando símbolos e imagens que atendam às preferências de Rafael, acessível por meio de dispositivos disponíveis na escola, enquanto a família utiliza gestos para se comunicar com ele.
Errada, porque depende de dispositivo digital e ainda delega à família uma comunicação improvisada, sem a mesma consistência de um recurso acessível e adaptado ao cotidiano de Rafael.
- B)criar materiais visuais adaptados, como pranchas impressas com símbolos e imagens personalizadas, que possam ser utilizados tanto em casa quanto na escola, promovendo uma solução prática e viável para o contexto de Rafael.
Certa, porque pranchas impressas personalizadas são uma forma viável de CAA, funcionam em casa e na escola e respeitam tanto o perfil de Rafael quanto a limitação de recursos da família.
- C)focar no desenvolvimento motor fino de Rafael para que ele consiga aprender a escrever e desenhar de maneira funcional, o que facilitará sua comunicação e engajamento em atividades escolares.
Errada, porque focar primeiro em escrita e desenho ignora a necessidade imediata de comunicação funcional e depende de uma habilidade motora fina que ele ainda não domina.
- D)utilizar a Língua Brasileira de Sinais como principal forma de comunicação, incentivando Rafael e a equipe escolar a adaptarem-se a esse método, eliminando a necessidade de outros recursos de Comunicação Alternativa.
Errada, porque a Libras não é a solução principal para este caso, já que Rafael apresenta dificuldade motora fina e o enunciado aponta para necessidade de recursos visuais de comunicação alternativa, não para troca completa de sistema.
- E)indicar aplicativos genéricos de comunicação para uso no tablet da escola, dispensando a personalização ou adaptação para Rafael, com o objetivo de simplificar sua implementação.
Errada, porque aplicativos genéricos sem personalização raramente atendem às necessidades reais da criança e ainda desconsideram o contexto de uso e adaptação do recurso.
Gabarito: B
Nesta questão, o ponto central é escolher um recurso de comunicação alternativa e aumentativa (CAA) que seja funcional, personalizado e viável para a realidade de Rafael. Quando a criança tem paralisia cerebral, dificuldade na fala e preserva cognição, a terapia ocupacional costuma pensar em formas de ampliar a participação, e não em “esperar a fala aparecer” como mágica de filme. O objetivo é permitir que ele expresse necessidades, escolhas e opiniões no dia a dia escolar e familiar. Como Rafael responde bem a estímulos visuais e auditivos, pranchas com símbolos, figuras e imagens são uma excelente estratégia. Elas podem apoiar a comunicação em casa e na escola, favorecendo autonomia e interação. Esse tipo de recurso é coerente com o princípio da tecnologia assistiva e da inclusão escolar, além de respeitar o contexto socioeconômico da família, que pede uma solução acessível e prática. Por isso, o gabarito é a letra B: pranchas impressas, personalizadas e utilizáveis nos dois ambientes. A personalização faz diferença porque comunicação não é “tamanho único”; o recurso precisa combinar com as necessidades, preferências e rotina da criança. Em concursos, a banca costuma valorizar a solução mais funcional, menos custosa e mais adaptada ao contexto real do caso. As demais alternativas escorregam justamente por ignorar isso: ou dependem de tecnologia que pode não estar disponível, ou apostam em uma habilidade que Rafael ainda não tem, ou tentam impor um único sistema de comunicação sem considerar seu perfil e sua realidade. Em termos de inclusão e acessibilidade, a estratégia certa é aquela que ajuda Rafael a participar agora, e não só no futuro distante.