João, uma criança de 5 anos, recusa alimentos por causa da textura, evita cheiros que considera intensos e chora ao ser exposto a sons altos e inesperados. Além disso, João não gosta de tocar em objetos com superfícies ásperas ou pegajosas preferindo evitar atividades que envolvam interação com esses estímulos e nunca anda descalço. Esses comportamentos são acompanhados por irritabilidade e reações como gritar ou se afastar rapidamente das situações que o incomodam. Com base no quadro apresentado, a seguinte disfunção da modulação sensorial está associada ao comportamento descrito:
- A)Déficit no processamento sensorial relacionado à propriocepção.
Errada, porque o quadro não sugere déficit proprioceptivo, e sim excesso de reação a estímulos táteis, auditivos, olfativos e alimentares.
- B)Integração sensorial desagregada com padrões mistos de resposta.
Errada, porque a descrição é de hiper-reatividade consistente, não de um padrão misto com respostas contraditórias como desagregação sensorial.
- C)Hiper-resposta sensorial (hiper-reatividade).
Certa, pois João apresenta resposta exagerada e de evitação a estímulos sensoriais comuns, com choro, fuga e irritabilidade, típico de hiper-resposta sensorial.
- D)Disfunção motora relacionada ao sistema vestibular.
Errada, porque o problema descrito não é motor nem vestibular, mas sim a forma como ele modula e tolera os estímulos sensoriais.
- E)Hiporresposta sensorial (hiporreatividade).
Errada, porque hiporresposta é quando a criança reage pouco ou parece não perceber os estímulos, o oposto do que acontece aqui.
Gabarito: C
A modulação sensorial é a capacidade do sistema nervoso de receber os estímulos do ambiente e ajustar a resposta de forma adequada. Quando essa modulação falha, a criança pode reagir demais, de menos ou de forma muito variável ao que sente, ouve, toca, cheira e saboreia. No caso de João, o padrão é bem típico de quem percebe os estímulos como “fortes demais”: ele rejeita texturas, cheiros, sons altos e até andar descalço, além de reagir com choro, gritos e fuga. Esse conjunto de sinais aponta para hiper-resposta sensorial, também chamada de hiper-reatividade. Em outras palavras, o cérebro dele trata estímulos comuns como se fossem invasivos ou ameaçadores, então a reação vem no modo alarme ligado. Isso explica a evitação de alimentos por textura, o incômodo com cheiros intensos, o desconforto com superfícies ásperas ou pegajosas e a evitação de andar descalço. Na prática da Terapia Ocupacional, esse quadro costuma aparecer como sensibilidade exagerada a estímulos táteis, gustativos, olfativos e auditivos, com comportamento de proteção ou fuga. O raciocínio clínico aqui é de modulação sensorial exagerada, e não de falta de percepção. Por isso, o gabarito é a alternativa C. As demais opções tentam confundir com outros sistemas ou com uma mistura de respostas, mas o padrão descrito é claro: a criança reage demais ao estímulo, não de menos, e o problema não é motor nem predominantemente proprioceptivo.