Sobre as Diretrizes Antecipadas de Vontade (DAV) no trabalho da Terapia Ocupacional em Cuidados Paliativos, é correto afirmar que
- A)substituem a opinião da equipe médica no cuidado ao paciente terminal.
Errada, porque as DAV não anulam o julgamento técnico da equipe médica, apenas orientam a conduta quando o paciente não puder decidir.
- B)devem ser ignoradas quando os familiares do paciente discordarem de seu conteúdo.
Errada, porque a vontade previamente registrada pelo paciente deve ser respeitada, e a discordância familiar não a invalida por si só.
- C)podem ser elaboradas por qualquer profissional de saúde, sem necessidade de validação do paciente.
Errada, porque as DAV dependem da manifestação válida do próprio paciente, e não de elaboração livre por qualquer profissional sem sua validação.
- D)são válidas apenas para pacientes em fase terminal de vida.
Errada, porque podem ser feitas antes da fase terminal e valem justamente para o momento em que o paciente ficar incapacitado de decidir.
- E)representam um conjunto de desejos expressos pelo paciente sobre cuidados e tratamentos, aplicados caso ele esteja incapacitado de decidir.
Certa, porque as DAV registram preferências do paciente sobre cuidados e tratamentos para serem aplicadas quando ele não conseguir mais expressar sua vontade.
Gabarito: E
As Diretrizes Antecipadas de Vontade (DAV) são uma forma de o paciente deixar registrado, antes de perder a capacidade de decidir, quais cuidados e tratamentos aceita ou recusa para o futuro. A ideia é simples: se um dia ele não conseguir mais se expressar, a equipe terá um norte claro sobre sua vontade. Isso conversa diretamente com a autonomia da pessoa, que continua sendo o centro do cuidado, inclusive em cuidados paliativos. Na prática, a Terapia Ocupacional participa ajudando o paciente a pensar sobre o que realmente importa no cotidiano, no conforto, na funcionalidade e na qualidade de vida. Não é sobre “apressar” decisões, mas sobre respeitar escolhas e valores. As DAV podem incluir preferências sobre intervenções, medidas de suporte e limites de tratamento, sempre para serem usadas quando o paciente estiver incapaz de decidir no momento. Por isso, o gabarito é a letra E: ela descreve exatamente a lógica das DAV, como um conjunto de desejos expressos pelo paciente sobre cuidados e tratamentos, aplicados se ele estiver incapaz de manifestar sua vontade. No Brasil, esse tema é amparado pela Resolução CFM nº 1.995/2012, que reconhece as diretivas antecipadas no contexto da relação médico-paciente, e pela base ética da autonomia e dignidade da pessoa humana. Resumo de prova: DAV não substitui equipe, não depende da família, não pode ser feita por qualquer profissional sem manifestação do paciente e não é exclusiva da fase terminal. Ela serve justamente para garantir que a voz do paciente continue valendo quando ele não puder falar por si.