Lucas, 15 anos, foi encaminhado ao Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSij) após apresentar episódios frequentes de irritabilidade, isolamento social e dificuldades escolares. Durante as sessões, Lucas expressou que sente dificuldades para lidar com seus sentimentos e que o ambiente escolar o sobrecarrega. Sua mãe relatou que ele frequentemente demonstra resistência para sair de casa ou participar de atividades em grupo, além de encontrar desafios em manter amizades. O CAPSij identificou limitações no suporte emocional e financeiro na família, além de conflitos no ambiente familiar. Com base no caso descrito, a abordagem de cuidado mais alinhada aos princípios da Atenção Psicossocial defendida pela Terapia Ocupacional no contexto do CAPSij seria
- A)priorizar intervenções farmacológicas, garantindo o alívio dos sintomas emocionais de Lucas.
Errada, porque prioriza apenas o tratamento farmacológico e reduz o cuidado a sintomas, contrariando a abordagem psicossocial e territorial.
- B)encaminhar Lucas para internação breve em unidade psiquiátrica, considerando a complexidade das questões escolares e familiares.
Errada, porque internação breve não é a resposta de primeira linha para um caso que pede articulação de rede e cuidado continuado no território.
- C)trabalhar na articulação com a família, a escola e outros dispositivos da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) para fortalecer os vínculos e o suporte de Lucas.
Certa, porque a Atenção Psicossocial no CAPSij trabalha com família, escola e RAPS para fortalecer vínculos, participação e suporte no cotidiano.
- D)focar no trabalho individual de Lucas, evitando interações que possam gerar desconforto social no contexto terapêutico.
Errada, porque o trabalho terapêutico não deve evitar o social; ao contrário, precisa favorecer interação, pertencimento e habilidades relacionais.
- E)concentrar as intervenções exclusivamente no ambiente familiar, visando resolver os conflitos domésticos relatados.
Errada, porque concentrar tudo na família ignora a escola e os demais dispositivos da rede, que são fundamentais no cuidado psicossocial.
Gabarito: C
Na Atenção Psicossocial, o foco não é “apagar sintoma” a qualquer custo, e sim cuidar da pessoa no seu contexto, com participação da família, da escola e da rede de apoio. No CAPSij, isso combina muito com a lógica da Reforma Psiquiátrica e da Lei 10.216/2001, que prioriza cuidado em liberdade, territorial e articulado, em vez de isolamento e resposta só medicamentosa. No caso de Lucas, aparecem sinais de sofrimento emocional, dificuldade de vínculo, sobrecarga escolar e fragilidade no suporte familiar. Quando isso acontece, a Terapia Ocupacional trabalha para ampliar participação social, autonomia e rotina significativa, aproximando os diferentes espaços da vida do adolescente. Não adianta tratar Lucas como se ele existisse só dentro da sala de atendimento, porque ele vive também na escola, em casa e na comunidade. Por isso, a conduta mais coerente é articular família, escola e outros pontos da RAPS, construindo apoio compartilhado, combinando estratégias de manejo do cotidiano, inclusão escolar e fortalecimento de vínculos. Esse é o espírito do cuidado psicossocial: menos isolamento, mais rede, mais vida real. A ideia é sustentar a participação de Lucas nos espaços onde sua saúde mental também se constrói. As alternativas que apostam em internação, intervenção exclusivamente individual, ou foco só em remédio ou só na família destoam dessa lógica. No CAPSij, a atuação é intersetorial e territorial, com projeto terapêutico singular e cuidado compartilhado, justamente para evitar que a resposta ao sofrimento seja estreitar o mundo do adolescente em vez de ampliá-lo.