Sobre o papel da Terapia Ocupacional no campo da Saúde Mental, no contexto brasileiro, é correto afirmar que
- A)a Terapia Ocupacional brasileira apoia o uso de práticas tradicionais da psiquiatria, como a hospitalização em instituições asilares para garantir o isolamento de pacientes em crise.
Errada, porque defende hospitalização asilar e isolamento, exatamente o modelo criticado pela Reforma Psiquiátrica.
- B)a Terapia Ocupacional no cuidado de pessoas em uso abusivo de álcool e drogas no Brasil promove o modelo de abstinência e internações compulsórias em comunidades terapêuticas que retiram o usuário da sociedade.
Errada, pois associa o cuidado ao abuso de álcool e drogas a abstinência compulsória e exclusão social, o que não corresponde à lógica psicossocial do SUS.
- C)as evidências científicas que sustentam as práticas da Terapia Ocupacional na saúde mental são baseadas no modelo psiquiátrico com predomínio da atenção farmacológica e nas instituições asilares.
Errada, já que reduz a Terapia Ocupacional ao modelo psiquiátrico tradicional e à centralidade medicamentosa, ignorando a perspectiva psicossocial.
- D)a atuação da Terapia Ocupacional em saúde mental está centrada no indivíduo, desconsiderando os fatores sociais e contextuais que o envolvem.
Errada, porque a atuação em saúde mental considera justamente os fatores sociais, culturais e contextuais que influenciam o fazer e o viver da pessoa.
- E)a Terapia Ocupacional no Brasil é fortemente marcada pelos movimentos de Reforma Psiquiátrica e pela Luta Antimanicomial, que impulsionaram a desinstitucionalização e promovendo a construção da Rede de Atenção Psicossocial.
Certa, pois relaciona a Terapia Ocupacional no Brasil à Reforma Psiquiátrica, à Luta Antimanicomial, à desinstitucionalização e à construção da RAPS.
Gabarito: E
Na Saúde Mental brasileira, a Terapia Ocupacional não trabalha mais a partir da lógica do isolamento e da exclusão, mas sim da vida em comunidade, da autonomia e da participação social. A ideia central é ajudar a pessoa a reconstruir rotinas, papéis sociais, vínculos e possibilidades de cuidado no território onde ela vive. Isso conversa diretamente com a Reforma Psiquiátrica e com a Luta Antimanicomial, que criticaram o modelo asilar e impulsionaram a desinstitucionalização. Em vez de concentrar o cuidado em hospitais psiquiátricos, o sistema passou a valorizar serviços substitutivos e comunitários, como os CAPS, as residências terapêuticas e a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), organizada no âmbito do SUS. É por isso que a alternativa correta é a letra E. Ela traduz bem o papel histórico e político da Terapia Ocupacional no Brasil, que atua junto com outros profissionais para ampliar a cidadania, a participação social e o acesso a direitos. Não é sobre tirar a pessoa do mundo, mas sobre recolocá-la nele com apoio e cuidado. As demais alternativas repetem a velha lógica manicomial ou reduzem a atuação da Terapia Ocupacional a um modelo biomédico estreito. Na prova, quando aparecer Saúde Mental no Brasil, pense em reforma, território, rede e direitos. Isso costuma ser o caminho certo.