A família tem lugar primordial de cuidado e proteção de seus membros, em especial, em situações de cronificação de doenças e de necessidade de cuidados prolongados. A abordagem técnica e ética do terapeuta ocupacional nesse contexto tem como objetivo
- A)orientar os familiares na reorganização de suas rotinas, de forma a centralizarem suas atividades no ambiente hospitalar que se encontra seu familiar, conscientizando-os que sua ausência produz sentimentos de abandono e quadro irreversível de depressão no paciente.
Errada, porque exagera ao sugerir centralização da vida da família no hospital e ainda usa uma lógica de culpa e catastrofização que não combina com a atuação ética do terapeuta ocupacional.
- B)facilitar a escolha de instituições especializadas para a internação prolongada do familiar enfermo, oferecendo orientação aos cuidadores contratados aos cuidados do paciente, de modo a não alterar a rotina dos familiares nem produzir sentimentos de culpa pelo abandono.
Errada, porque privilegia a institucionalização prolongada e a terceirização do cuidado, em vez de apoiar a família e favorecer autonomia e permanência com dignidade quando possível.
- C)apoiar os cuidadores com quadros de negação da doença de seus familiares, oferecendo atividades expressivas e lúdicas em grupos de famílias com a mesma problemática, oferecendo um ambiente seguro para se distrair e diminuir seus sentimentos de culpa.
Errada, porque trata negação e culpa como algo a ser apenas "distraído" com atividades, sem enfrentar de forma técnica a sobrecarga familiar e a reorganização da rotina de cuidado.
- D)auxiliar na reorganização da rotina do cuidador, por meio de acompanhamentos individuais e em grupos de familiares, oferecendo acolhimento às famílias e orientações de usos de tecnologias assistivas promovendo maior autonomia, tanto para o paciente quanto para a família.
Certa, porque propõe acolhimento, orientação, apoio em grupo, reorganização da rotina do cuidador e uso de tecnologias assistivas para ampliar autonomia do paciente e da família.
- E)conscientizar a família de que o ambiente domiciliar é o melhor lugar para o paciente viver, oferecendo seus serviços particulares e toda sua equipe especializada em equipamentos e adaptações necessárias ao ambiente domiciliar.
Errada, porque transforma o cuidado domiciliar em propaganda de serviços particulares e supõe que o terapeuta deva vender uma solução, o que é incompatível com a ética profissional.
Gabarito: D
Na prática da Terapia Ocupacional, quando a família está lidando com doença crônica e cuidado prolongado, o foco não é empurrar a família para o hospital nem terceirizar o problema. O objetivo ético e técnico é acolher, orientar e fortalecer essa rede de cuidado, ajudando na reorganização da rotina de quem cuida e também na ampliação da autonomia do paciente e da própria família. Isso conversa com a lógica da reabilitação e do cuidado centrado na pessoa e na família, em que o terapeuta ocupacional observa as ocupações do cotidiano, as sobrecargas do cuidador e os recursos do ambiente. A intervenção pode ser individual e em grupo, com orientações práticas, apoio emocional e discussão de tecnologias assistivas, adaptações e estratégias para manter participação e qualidade de vida. Por isso, o gabarito é a letra D: ela traz justamente a ideia de reorganização da rotina do cuidador, acolhimento, orientação em grupo e uso de tecnologias assistivas para promover maior autonomia. É a alternativa que respeita o papel do terapeuta ocupacional sem culpabilizar a família nem reduzir o cuidado a uma solução institucional ou comercial. Em termos éticos, isso também está alinhado ao Código de Ética e Deontologia da Terapia Ocupacional, que reforça respeito à dignidade, responsabilidade profissional, promoção da autonomia e atuação responsável junto ao usuário e sua rede de apoio.