Mesmo com a Reforma Psiquiátrica, ainda há um número significativo de pessoas que vivem em hospitais ou em leitos psiquiátricos. Suponha que o terapeuta ocupacional identifica, numa das enfermarias em que trabalha, no hospital geral, um paciente com histórico de esquizofrenia e sem familiares, que está há mais de 3 anos no hospital sem nenhuma intercorrência clínica e nenhum sintoma psiquiátrico positivo. Junto à equipe da enfermaria propõe elaborar um projeto terapêutico que viabilize a saída desse paciente do hospital. O projeto conta com ações integradas à Redes de Atenção Psicossocial. Diante do caso exposto, este é um projeto de
- A)socialização.
Socialização é um objetivo amplo de reinserção social, mas não nomeia com precisão o processo de saída do hospital de longa permanência.
- B)desinstitucionalização.
Correta: descreve o processo de romper a institucionalização prolongada e viabilizar a vida do paciente no território com apoio da RAPS.
- C)desmedicalização.
Desmedicalização se refere a reduzir a centralidade do modelo médico, não especificamente ao desligamento de uma internação psiquiátrica prolongada.
- D)desospitalização.
Desospitalização é a retirada do paciente do hospital, mas a questão aponta para uma estratégia mais ampla de reabilitação e reinserção em rede.
- E)humanização.
Humanização é um princípio de cuidado, porém é genérico e não define o projeto terapêutico voltado à saída do contexto asilar.
Gabarito: B
A questão fala de um paciente que está internado há muito tempo, sem crise aguda e sem necessidade clínica de permanecer no hospital, mas que precisa de um caminho seguro para voltar à vida em liberdade. Isso aponta para a lógica da Reforma Psiquiátrica: tirar a pessoa do lugar de exclusão prolongada e construir, com a Rede de Atenção Psicossocial, alternativas no território. Esse movimento não é só “dar alta”. Ele envolve articular CAPS, atenção básica, assistência social, moradia, benefícios e outras estratégias para que a pessoa não volte a ficar presa ao hospital por falta de suporte. Na prática, é um trabalho de reconstrução de vínculos, autonomia e cidadania. Por isso, o caso descreve um projeto de desinstitucionalização. Esse conceito é muito ligado à Reforma Psiquiátrica brasileira e à Lei 10.216/2001, que redireciona o modelo assistencial em saúde mental e valoriza a internação como medida excepcional. Também conversa com a ideia de cuidado em liberdade, sustentado pela RAPS. Em resumo: se o foco é preparar a saída do hospital de alguém que ficou institucionalizado por anos, sem quadro agudo, você pensa em desinstitucionalização. O detalhe que entrega a questão é justamente a integração com a rede e a busca de vida fora do hospital, e não apenas uma mudança administrativa de leito.