A correta abordagem do terapeuta ocupacional diante dos impactos no cotidiano de pessoas em situação de perdas e luto inclui
- A)orientar o paciente a participar, pelo menos 1 vez por semana, cultos de igrejas próximas de sua residência, ampliando sua rede de apoio.
Errada, porque impor frequência a cultos religiosos é uma orientação prescritiva e desconsidera a singularidade, a crença e a vontade do paciente.
- B)encaminhar o paciente para realizar serviços voluntários em instituições religiosas que prestam assistência a pessoas órfãs e sem apoio de suas famílias.
Errada, porque transformar o luto em serviço voluntário religioso não é uma conduta terapêutica geral e pode gerar sobrecarga ou inadequação ao caso.
- C)oferecer possibilidades de construção de redes de suporte, envolvimentos em atividades de cuidado holístico e em dimensões da espiritualidade.
Certa, porque contempla rede de apoio, cuidado integral e espiritualidade como recursos possíveis para enfrentamento e reorganização do cotidiano.
- D)condicionar o tratamento do luto ao processo de adesão do paciente à realização das atividades já realizadas com a pessoa falecida.
Errada, porque não se deve prender o tratamento à repetição das atividades feitas com a pessoa falecida, já que o processo de luto exige adaptação e reconstrução.
- E)indicar a participação do paciente em atividades de lazer para distrair e esquecer a perda do ente querido, tais como: ir ao cinema, à praia, aos espetáculos de dança e música.
Errada, porque atividades de lazer não servem para "esquecer" a perda; o luto precisa ser elaborado, não apenas distraído.
Gabarito: C
No contexto do luto, o terapeuta ocupacional não trabalha para "apagar" a perda, mas para ajudar a pessoa a reorganizar sua vida e seu cotidiano depois do impacto emocional. Isso envolve olhar para rotina, vínculos, significado das atividades e formas de enfrentamento que façam sentido para aquela pessoa, sem impor receitas prontas. Em concurso, desconfie de soluções muito padronizadas, porque luto não é assunto de checklist. A atuação correta inclui acolhimento, escuta e construção de estratégias que favoreçam suporte social, participação ocupacional e reconstrução de papéis. Também pode envolver atividades que dialoguem com espiritualidade, sentido de vida e cuidado integral, quando isso for importante para o paciente. Na Terapia Ocupacional, o foco é apoiar a retomada possível da vida cotidiana com respeito ao tempo de cada um. Por isso, a alternativa C está correta: oferecer possibilidades de construção de redes de suporte, envolvimentos em atividades de cuidado holístico e em dimensões da espiritualidade está alinhado com uma abordagem humanizada e centrada na pessoa. O terapeuta ocupacional pode favorecer conexões, pertencimento e recursos de enfrentamento, sem reduzir o luto a mera distração ou substituição forçada de hábitos. As demais alternativas tentam empurrar uma solução única, religiosa, voluntarista ou de "esquecimento", o que não é adequado. No luto, a intervenção precisa ser sensível, individualizada e voltada à adaptação ocupacional, não a um roteiro automático de superação.