Em serviços de saúde mental, de base territorial e orientados pelas diretrizes do Ministério da Saúde, de redução de danos, como os CAPS-Ad, terapeutas ocupacionais acolhem usuários em situações de crise geradas pelo uso problemático de substâncias psicoativas. Considerando o contexto apresentado, o terapeuta ocupacional deve adotar a seguinte abordagem:
- A)proibir a entrada do usuário no serviço de saúde mental em condições de entorpecimento das drogas, e encaminhar de imediato para internação psiquiátrica.
Errada, porque o CAPS-Ad não deve barrar o acesso nem encaminhar automaticamente para internação psiquiátrica apenas por o usuário estar entorpecido.
- B)propor reorganizar o gerenciamento do uso das substâncias psicoativas, de modo a minimizar os danos em sua saúde e/ou em sua dinâmica da vida cotidiana.
Certa, pois expressa a estratégia de redução de danos, buscando reorganizar o uso para diminuir prejuízos à saúde e à vida cotidiana.
- C)propor realizar AVDs como tomar banho e se alimentar no serviço e, em seguida, encaminhá-lo para a oficina de orações auxiliando na reflexão dos danos causados pela droga.
Errada, porque reduz o cuidado a tarefas e orientação moral/religiosa, o que não corresponde à abordagem técnica e territorial da saúde mental.
- D)orientar a procurar os grupos de mútua ajuda, e só retornar ao serviço de saúde mental, após sua vinculação e declaração de assiduidade às sessões desses grupos.
Errada, porque não se pode condicionar o retorno ao serviço à adesão prévia a grupos de mútua ajuda, já que o CAPS deve acolher e acompanhar sem exigências excludentes.
- E)orientar a família a controlar o uso das substâncias psicoativas, a partir da organização de tarefas domiciliares que o paciente venha se ocupar e se distrair do vício.
Errada, porque transfere à família um controle que não substitui o cuidado profissional e ainda assume uma lógica de vigilância e distração incompatível com a redução de danos.
Gabarito: B
Em CAPS-Ad e outros serviços territoriais, a lógica não é de excluir quem chega em crise por uso de álcool e outras drogas, mas de acolher, avaliar o risco e construir cuidado possível no momento. A política de saúde mental brasileira, alinhada à Reforma Psiquiátrica e à Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), prioriza cuidado em liberdade, vínculo, redução de danos e respeito ao contexto de vida da pessoa. Na prática, isso significa ajudar o usuário a reorganizar o uso da substância para diminuir prejuízos à saúde, à rotina e aos vínculos sociais. Às vezes o objetivo não é “parar na hora”, mas reduzir danos imediatos, ampliar proteção e recuperar o máximo de autonomia possível. É aquele cuidado menos policial e mais humano, que olha a pessoa antes da substância. Por isso, a alternativa B está correta: ela descreve exatamente a abordagem de redução de danos, muito usada na saúde mental e especialmente nos CAPS-Ad. O foco é minimizar os efeitos negativos do uso problemático sobre a vida cotidiana, sem impor abstinência como condição de acesso ao serviço. As alternativas que falam em proibição de acesso, internação imediata, exigência de grupos externos como شرط para retorno ou controle familiar rígido destoam da lógica territorial e substitutiva do SUS. O cuidado em saúde mental deve ser construído com a pessoa, e não contra ela.