Autores do campo da Terapia Ocupacional em contextos hospitalares afirmam que o adoecimento e a hospitalização de longa duração podem causar diferentes tipos de danos e significativas rupturas no cotidiano dos pacientes internados. Nesse contexto, o terapeuta ocupacional deve usar técnicas terapêuticas de posicionamento, mobilização e conservação de energia, para alívio de sintomas físicos, melhora funcional e do autocuidado, bem como o uso de
- A)atividades artísticas como possibilidades de minimizar reações de estresse.
Certa, porque atividades artísticas podem favorecer expressão, distração e redução do estresse em pacientes hospitalizados por longo período.
- B)recursos eletro e termoterápicos no leito para alívio de dores.
Errada, porque eletro e termoterapia não são o recurso central pedido e não substituem a intervenção ocupacional voltada ao cotidiano e ao estresse da internação.
- C)pranchas de comunicação integrativas e complementares.
Errada, porque pranchas de comunicação são mais ligadas à comunicação alternativa, e não ao objetivo descrito no enunciado.
- D)eletroconvulsoterapia como técnica suplementar.
Errada, porque eletroconvulsoterapia é procedimento médico-psiquiátrico, sem relação com a proposta da Terapia Ocupacional hospitalar da questão.
- E)atividades expressivas para distração da ociosidade.
Errada, porque atividades expressivas podem ajudar, mas a alternativa está genérica e não corresponde ao complemento mais característico pedido pela banca.
Gabarito: A
Na Terapia Ocupacional hospitalar, a ideia central é reduzir o impacto da internação na vida da pessoa e ajudar a manter, o máximo possível, sua autonomia, identidade e rotina. Em internações longas, o paciente não sofre só com a doença: ele perde papéis, hábitos, privacidade e até o ritmo do dia. Por isso, o terapeuta ocupacional trabalha com posicionamento, mobilização, conservação de energia e estratégias para aliviar sintomas e favorecer o autocuidado. Além dessas medidas mais funcionais, entram as atividades significativas, que ajudam a diminuir a sensação de vazio e de estresse do ambiente hospitalar. Entre elas, as atividades artísticas são muito usadas porque permitem expressão, organização emocional, distração saudável e resgate de interesses pessoais. Em outras palavras: não é só ocupar o tempo, é dar sentido ao tempo de internação. É exatamente por isso que a alternativa A está correta. O uso de atividades artísticas pode minimizar reações de estresse, ansiedade e sofrimento psíquico, especialmente em contextos de hospitalização prolongada. Isso está de acordo com a prática da Terapia Ocupacional em saúde e com o próprio COFFITO, que reconhece a atuação do terapeuta ocupacional na promoção da funcionalidade, participação e qualidade de vida em diferentes contextos assistenciais. As demais alternativas tentam “parecer hospitalares”, mas fogem do foco da atuação terapêutico-ocupacional ou misturam recursos que não são a resposta típica para esse objetivo na questão. Aqui, a lógica da banca é: além do cuidado físico, pense no impacto ocupacional e emocional da internação.