O terapeuta ocupacional, numa visão humanista, distinta das concepções biomédicas sobre a criança com deficiência física, elege o brincar, por se tratar de uma atividade primordial da criança, priorizando o objetivo de
- A)restabelecer os movimentos alterados, restituindo os padrões de normalidade perdidos e eficiência do brincar.
Errada, porque adota uma visão biomédica de restabelecer movimentos e normalidade, em vez de priorizar a participação e o sentido do brincar.
- B)incluir acessórios de inibição de padrões indesejados de movimentos, centrando o brincar aos aspectos biomecânicos.
Errada, porque reduz o brincar aos aspectos biomecânicos e ao controle de padrões motores, o que contraria a perspectiva humanista.
- C)orientar familiares a treinarem diariamente a criança a executarem brincadeiras com movimentos normalizados.
Errada, porque transforma a brincadeira em treino diário de movimentos normalizados, deslocando o foco da ocupação significativa para a correção motora.
- D)possibilitar a realização de atividades, considerando principalmente, a disponibilidade interna da criança.
Certa, porque valoriza a realização de atividades de forma significativa, respeitando a disponibilidade interna da criança e sua participação no brincar.
- E)permitir que a criança faça o que quiser dentro dos ambientes domiciliares, escolares e terapêuticos.
Errada, porque a proposta é ampla demais e permissiva sem critério, não expressando o objetivo terapêutico de favorecer participação com intencionalidade.
Gabarito: D
Na Terapia Ocupacional com criança com deficiência física, a visão humanista tira o foco do corpo como “máquina consertada” e coloca a criança como sujeito ativo, com desejos, ritmos e formas próprias de participação. Nesse olhar, o brincar não é só treino disfarçado: ele é uma ocupação central da infância, uma forma de expressão, vínculo e desenvolvimento. Por isso, quando o terapeuta ocupacional escolhe o brincar como eixo do atendimento, o objetivo principal não é “normalizar” movimentos nem transformar a brincadeira em ginástica corretiva. A ideia é favorecer a participação da criança em atividades significativas, respeitando sua singularidade, suas possibilidades e, principalmente, sua disponibilidade interna para brincar. O gabarito é a letra D porque ela traduz exatamente essa postura: possibilitar a realização de atividades considerando a disponibilidade interna da criança. Em outras palavras, o terapeuta cria condições para que a criança se envolva, escolha, explore e participe, sem reduzir a intervenção ao padrão biomédico de correção de déficit. Esse raciocínio está alinhado com a Terapia Ocupacional centrada no sujeito e com a lógica de participação e funcionalidade, muito próxima da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF), que valoriza interação entre pessoa, atividade e contexto. Aqui, brincar é fim e meio ao mesmo tempo, mas sem virar uma “fábrica de movimentos perfeitos”.