Como estudioso das atividades humanas, o terapeuta ocupacional necessita estar sempre atualizado em seu tempo, refletindo os impactos da contemporaneidade na produção do cuidado dos sujeitos atendidos. Pensando no trabalho desse profissional em enfermarias infantojuvenis, é correto afirmar que o uso de eletrônicos
- A)produz mais a alienação e distorção de valores morais do adolescente, do que benefícios a serem incorporados ao rol de recursos terapêuticos ocupacionais.
Errada, porque trata o eletrônico como algo essencialmente nocivo e moralista, ignorando seu potencial terapêutico e o uso contextualizado na internação.
- B)produz processos inflamatórios neurais, gerando vícios em jogos de teor violento, e de riscos aos adolescentes fragilizados pela internação.
Errada, pois afirmações sobre inflamação neural e vício dessa forma são genéricas, alarmistas e sem pertinência técnica para a atuação em terapia ocupacional.
- C)possibilita trabalhar com questões da sexualidade, numa fase importante da vida dos adolescentes, favorecendo uma educação heteronormativa.
Errada, porque mistura um tema sensível com um viés inadequado e não relacionado ao objetivo terapêutico da questão.
- D)favorece a análise das ocupações do adolescente, a partir de seus dispositivos eletrônicos, e a adesão do adolescente ao tratamento.
Certa, pois os dispositivos eletrônicos podem ser usados para conhecer as ocupações do adolescente e aumentar sua adesão ao tratamento durante a internação.
- E)possibilita a ocupação do tempo ocioso do adolescente no leito, evitando quadro de irritabilidade, sonolência e pouca adesão ao tratamento.
Errada, porque reduz o uso dos eletrônicos a mero passatempo para preencher o tempo ocioso, sem considerar a análise ocupacional e o projeto terapêutico.
Gabarito: D
Na enfermaria infantojuvenil, o terapeuta ocupacional não olha só para o diagnóstico: ele observa o adolescente, sua rotina, seus interesses, suas formas de se comunicar e de se manter ativo durante a internação. Nesse cenário, os eletrônicos podem ser aliados, porque fazem parte da vida real do paciente e ajudam a aproximar o cuidado do cotidiano dele, em vez de tratar a internação como um “mundo à parte”. Quando usados com critério, celular, jogos, redes sociais e outros dispositivos podem apoiar vínculo, expressão, lazer, organização do tempo e até a análise das ocupações do adolescente. A ideia não é “liberar tela por liberar”, mas usar esse recurso de forma terapêutica, com objetivos claros e adequados à idade, ao estado clínico e ao contexto da internação. É por isso que a alternativa D está correta: os dispositivos eletrônicos podem ajudar o terapeuta ocupacional a entender melhor as ocupações do adolescente, seus interesses e sua participação no tratamento. Além disso, quando bem manejados, favorecem adesão, reduzindo sensação de isolamento e aumentando engajamento nas atividades propostas. As demais alternativas exageram efeitos negativos, trazem afirmações sem base técnica ou entram em julgamentos morais. Em terapia ocupacional, o foco é transformar recursos do cotidiano em potência para o cuidado, não demonizar a tecnologia como se ela fosse vilã de novela.