A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher tem como um dos objetivos fortalecer e implementar políticas que levem em consideração as mulheres em sua diversidade. Assinale a alternativa correta sobre a atenção básica às mulheres vítimas de violência.
- A)A atenção básica não é responsável pela abordagem da violência contra a mulher, pois trata-se de um determinante social e não de saúde.
Errada, porque a atenção básica faz parte do cuidado em situações de violência contra a mulher e não pode tratar isso como algo fora da saúde.
- B)O terapeuta ocupacional não é responsável por realizar a notificação de violência.
Errada, pois profissionais de saúde, inclusive o terapeuta ocupacional quando atuante na rede, participam do cuidado e da notificação compulsória conforme a legislação e os fluxos do SUS.
- C)A violência contra a mulher não é reconhecida como um problema de saúde.
Errada, porque a violência contra a mulher é reconhecida como problema de saúde pública e demanda atenção da rede de saúde.
- D)A estratégia de saúde da família é responsável por saúde reprodutiva, atenção obstétrica e neonatal e saúde sexual, mas a violência doméstica não está sob a cobertura da atenção básica.
Errada, porque a violência doméstica também integra o cuidado na atenção básica e na Estratégia Saúde da Família, que devem acolher, identificar e encaminhar esses casos.
- E)A estratégia de saúde da família na atenção básica é importante na detecção da violência doméstica porque tem cobertura territorial e contato proximal com as mulheres.
Certa, porque a cobertura territorial e o vínculo próximo da Estratégia Saúde da Família favorecem a identificação precoce da violência doméstica e o cuidado contínuo.
Gabarito: E
A atenção básica tem papel central na identificação e no cuidado às mulheres em situação de violência, especialmente porque é a porta de entrada preferencial do SUS. Na Estratégia Saúde da Família, a equipe acompanha famílias ao longo do tempo, visita territórios e cria vínculo com as usuárias, o que aumenta muito a chance de perceber sinais de violência que muitas vezes aparecem de forma indireta, como queixas repetidas, sofrimento emocional, lesões frequentes ou alterações no sono e na rotina. A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher reforça que a assistência deve considerar a mulher em sua diversidade e incluir situações de violência como questão de saúde pública. Isso conversa diretamente com a Lei 10.778/2003, que trata da notificação compulsória da violência contra a mulher, e com as normas do Ministério da Saúde sobre cuidado integral e rede de atenção. Ou seja, não é algo para ser empurrado para fora da atenção básica como se fosse um problema "de outro setor". A lógica da ESF ajuda muito: cobertura territorial, proximidade, acompanhamento longitudinal e possibilidade de articulação com outros pontos da rede, como assistência social, psicologia, enfermagem, medicina, serviço social e terapia ocupacional. Em casos de violência, o trabalho não é só registrar; é acolher, escutar, avaliar risco, notificar quando indicado e encaminhar com segurança. Por isso, a alternativa E está correta: a Estratégia Saúde da Família é importante na detecção da violência doméstica justamente por estar perto da realidade da usuária e do território. Em prova, sempre desconfie quando a questão tenta dizer que violência não é assunto da atenção básica. Isso costuma ser a banca testando se você conhece a rede de cuidado e a visão integral de saúde.