De acordo com Silva e Araújo (2013), a partir das mudanças ocorridas após a Reforma Psiquiátrica (2001), as atividades do terapeuta ocupacional no campo da saúde mental junto às equipes multiprofissionais devem ser revisadas para uma nova direção tendo como respaldo o discurso de uma:
- A)Reabilitação Funcional.
Errada, porque reabilitação funcional é uma lógica mais voltada à recuperação de funções e desempenho, não ao eixo central da reforma na saúde mental.
- B)Intervenção Humanística.
Errada, porque intervenções humanísticas podem até dialogar com o cuidado, mas não nomeiam o modelo teórico-prático pedido no contexto da Reforma Psiquiátrica.
- C)Reabilitação Psicossocial.
Certa, porque a atuação após a Reforma Psiquiátrica se apoia na reabilitação psicossocial, com foco em autonomia, cidadania e inclusão social.
- D)Intervenção Psicossocial.
Errada, porque a expressão não corresponde ao referencial clássico cobrado na área e é genérica demais para o enunciado.
- E)Intervenção Matricial.
Errada, porque intervenção matricial é uma estratégia de apoio entre equipes, mas não é o conceito-base que fundamenta a mudança descrita.
Gabarito: C
Depois da Reforma Psiquiátrica, a lógica do cuidado em saúde mental mudou de vez: saiu de cena o modelo centrado no isolamento e entrou uma visão voltada para cidadania, autonomia e convivência social. Nesse contexto, o terapeuta ocupacional deixa de atuar só para “ocupar tempo” ou adaptar funções perdidas e passa a construir possibilidades reais de participação na vida cotidiana. É uma virada de chave importante, porque o foco deixa de ser apenas o sintoma e passa a ser a pessoa em seu território, com seus vínculos, desejos e direitos. É exatamente por isso que o discurso que orienta essa atuação é o da reabilitação psicossocial. Esse conceito trabalha com inclusão social, reconstrução de laços, ampliação da autonomia e circulação da pessoa nos espaços da comunidade. Em vez de pensar apenas em reabilitar uma função isolada, a proposta é favorecer novos modos de existir no mundo, com apoio da rede e da equipe multiprofissional. Na prática, isso significa que o terapeuta ocupacional pode atuar em oficinas, grupos, projetos de geração de renda, fortalecimento de vínculos, estratégias de vida diária e intervenções no território. Tudo isso conversa diretamente com a Reforma Psiquiátrica brasileira, consolidada pela Lei 10.216/2001, que redireciona o modelo assistencial em saúde mental para cuidado em liberdade e respeito à dignidade da pessoa. Por isso, o gabarito é a letra C. A questão quer exatamente a leitura pós-Reforma: a atuação do terapeuta ocupacional na saúde mental deve ser revista sob a lógica da reabilitação psicossocial, e não de um modelo puramente funcional ou hospitalocêntrico. Em prova, quando aparecer a ideia de inclusão, autonomia, cidadania e reinserção social, pense nessa direção sem hesitar muito.