A demência, por sua característica evolutiva e pela magnitude de seus sintomas, contribui para a perda da autonomia e da independência do desempenho funcional. À medida que a doença progride, as perdas da capacidade funcional vão se intensificando, e o indivíduo vai se tornando mais dependente de outra pessoa para realizar suas atividades diárias. Nesse caso, é importante na intervenção da terapia ocupacional:
- A)Os interesses e o estilo de vida do indivíduo e de sua família não precisam ser considerados na proposição das atividades.
Errada, porque os interesses e o estilo de vida do indivíduo e da família devem ser considerados na escolha das atividades.
- B)Com a progressão da doença, são indicadas novas atividades para estimular novas formas e o aprendizado.
Errada, porque na progressão da demência a intervenção tende a adaptar e simplificar as atividades, e não exigir novas aprendizagens complexas.
- C)Na avaliação do ambiente domiciliar, é importante que o terapeuta considere somente as características físicas e arquitetônicas para a adaptação do ambiente.
Errada, porque a avaliação domiciliar deve considerar também aspectos funcionais, sociais, rotinas e segurança, não só a estrutura física.
- D)Manter o indivíduo o mais ativo e independente possível, focalizando nas habilidades remanescentes e adequando a demanda das tarefas às capacidades atuais do indivíduo, em uma rotina de atividades equilibrada e significativa.
Certa, porque prioriza habilidades remanescentes, adaptação das tarefas e uma rotina significativa para preservar autonomia e independência.
- E)A intervenção da terapia ocupacional com os familiares e cuidadores do indivíduo com demência não influencia o seu processo terapêutico.
Errada, porque familiares e cuidadores influenciam diretamente o cuidado, a adesão e a manutenção das intervenções.
Gabarito: D
Na demência, o raciocínio da terapia ocupacional não é tentar "treinar a pessoa para voltar ao que era", como se o cérebro fosse dar um upgrade de última hora. O foco é preservar o máximo possível de autonomia, independência e participação nas atividades significativas, respeitando o estágio da doença e as capacidades que ainda existem. Isso inclui ajustar tarefas, simplificar passos, usar pistas e criar uma rotina previsível e funcional. Também é essencial olhar para o contexto real de vida do indivíduo. O que fazia sentido para aquela pessoa e para a família antes da demência continua sendo importante agora, porque a intervenção precisa ter valor afetivo, prático e social. Atividades sem significado costumam ter pouco engajamento, e em demência o engajamento é tudo: ele ajuda a manter o desempenho ocupacional e reduz frustração. Por isso, o gabarito D está correto. A alternativa traduz bem a lógica da reabilitação psicossocial e da terapia ocupacional: manter a pessoa o mais ativa e independente possível, valorizar as habilidades remanescentes e adequar a demanda da tarefa às capacidades atuais, dentro de uma rotina equilibrada e significativa. Em vez de exigir mais do que o indivíduo consegue, a intervenção organiza o ambiente e a atividade para favorecer o fazer possível. As outras alternativas erram porque ignoram princípios básicos da intervenção: considerar a família, adaptar o ambiente de forma ampla e incluir cuidadores são partes centrais do cuidado. Em demência, a terapia ocupacional trabalha com compensação, adaptação e suporte, não com imposição de tarefas novas só porque elas são "estimulantes".