Gonçalves, et al. (2022, p. 1.008) denota que “a cadeira de rodas faz parte do arsenal de recursos da tecnologia assistiva e, sendo um equipamento que auxilia a locomoção das pessoas com mobilidade reduzida, pode ser utilizada por pessoas que apresentam impossibilidade, temporária ou definitiva, de se deslocar utilizando os membros inferiores e permitindo, assim, sua mobilidade durante a realização das atividades”. As prescrições de cadeira de rodas feitas pelos terapeutas ocupacionais tomam como base:
- A)É necessário conhecer o prognóstico para saber se a incapacidade apresentada pelo indivíduo é temporária ou permanente, se uma melhora pode ser esperada, se há piora progressiva ou um estado estável.
Correta: a prescrição parte do prognóstico para definir se a necessidade é temporária, permanente, estável ou progressiva.
- B)É essencial que o profissional faça um escaneamento digital de toda a estrutura óssea do paciente, antes de realizar a prescrição do dispositivo; após, deve-se realizar um levantamento sobre quais contextos a cadeira será utilizada.
Errada: não existe exigência de escaneamento digital ósseo para indicar cadeira de rodas, e a avaliação vai muito além disso.
- C)Ao realizar a indicação da cadeira de rodas, o profissional deverá iniciar com uma conversa com a família e o cliente, a fim de conhecer quais são os seus desejos, as possiblidades financeiras da família, pois, caso contrário, não se indica a prescrição deste dispositivo.
Errada: o diálogo com cliente e família é importante, mas a prescrição não depende só de desejo ou condição financeira.
- D)A indicação da cadeira de rodas irá depender de qual ocupação o cliente desempenha e o seu estilo de vida, pois somente será possível indicar o uso do dispositivo se o objetivo principal for para realizar a mobilidade para locais amplos e acessíveis, ficando, portanto, à prescrição restrita a atividade que o cliente irá desempenhar.
Errada: a indicação não fica limitada a mobilidade em locais amplos e acessíveis, pois deve considerar a funcionalidade em diferentes contextos.
Gabarito: A
A prescrição de cadeira de rodas em Terapia Ocupacional não é feita no escuro nem por tentativa e erro: ela começa pela avaliação do prognóstico e das necessidades funcionais da pessoa. Em termos práticos, o terapeuta precisa entender se a limitação é temporária ou permanente, se existe chance de melhora, se o quadro pode piorar ou se está estável. Isso muda completamente o tipo de cadeira, os ajustes, os acessórios e até o plano de reabilitação. Por isso, a alternativa A está correta. Antes de escolher o equipamento, o profissional precisa pensar no curso da condição clínica e no impacto disso na mobilidade e na participação ocupacional. Não basta olhar apenas a cadeira em si; é preciso ligar o recurso ao objetivo funcional do cliente, ao ambiente e à evolução esperada do quadro. As demais alternativas exageram ou inventam exigências que não fazem parte da prática. Não se exige escaneamento digital do esqueleto para prescrever cadeira de rodas, nem a decisão depende apenas da conversa com a família ou da capacidade financeira. Também não faz sentido restringir a prescrição a locais amplos e acessíveis, porque a cadeira deve ampliar a participação da pessoa nos contextos reais da vida dela. Em resumo, a base da prescrição é a avaliação clínica funcional com foco no prognóstico, nas limitações, nos objetivos e na adaptação ao cotidiano. É a cadeira a serviço da pessoa, e não o contrário.