A musicoterapia na saúde mental acolhe as pessoas e seus sofrimentos em diversos ambientes e espaços, desde os equipamentos especializados na área da saúde/saúde mental, como em centros comunitários, em projetos e /ou programas. O sofrimento psíquico grave é multicausal e complexo, entendido a partir da relação com o mundo e se constrói e se expressa nas relações afetivas, sociais e culturais. São considerados momentos de sofrimento que se agravam e que demandam acolhimento e escuta empática de profissionais, EXCETO:
- A)Melhoras no estado de humor, na estimulação da memória, no desenvolvimento da cidadania, oportunizando o protagonismo e narrativas outras, e na (re)integração social, dentre outros objetivos.
Está correta, porque descreve objetivos compatíveis com a musicoterapia em saúde mental, como melhora do humor, memória, cidadania, protagonismo e reintegração social.
- B)A musicoterapia social e comunitária se volta para a formação de arenas de participação, para a ampliação de possibilidades de inserção social de pessoas que, por qualquer razão, estejam excluídas ou marginalizadas na sociedade.
Está correta, pois traduz a dimensão social e comunitária da musicoterapia, voltada à inclusão e à ampliação da participação social.
- C)O trabalho da musicoterapia na área da saúde mental não pode ser estendido para além dos espaços formais de atendimento como, por exemplo, à comunidade e praças, bem como em eventos culturais, na configuração de grupos musicais e artísticos.
Está errada, porque a musicoterapia em saúde mental pode sim ultrapassar os espaços formais e ocorrer na comunidade, em praças, eventos culturais e grupos artísticos.
- D)Os processos musicoterapêuticos desenvolvidos na área da saúde mental poderão propiciar a autoexpressão criativa/musical, melhoria nas relações sociais, produção de subjetividades outras, principalmente na percepção de potencialidades para além do sofrimento.
Está correta, pois aponta efeitos esperados dos processos musicoterapêuticos, como autoexpressão, melhores relações sociais e fortalecimento de potencialidades.
Gabarito: C
A musicoterapia em saúde mental não fica presa ao consultório ou ao CAPS. Ela pode acontecer em centros comunitários, projetos sociais, praças, eventos culturais e outras cenas do cotidiano, porque o sofrimento psíquico grave também se expressa nas relações, na cultura e na forma como a pessoa se vincula ao mundo. Por isso, a lógica é acolher, escutar e criar espaços de expressão, participação e reconstrução de vínculos. Na prática, isso combina bem com a Reforma Psiquiátrica e com a ideia de atenção psicossocial: sair de um modelo fechado e ampliar a rede de cuidado, valorizando a vida em comunidade, a cidadania e o protagonismo do sujeito. A musicoterapia social e comunitária entra exatamente aí, como ferramenta de inclusão e de participação social. A alternativa C está errada porque afirma o contrário do que a área faz. O trabalho em saúde mental pode, sim, ser estendido para além dos espaços formais de atendimento, inclusive para comunidade, praças, eventos culturais e grupos artísticos. Negar essa possibilidade contraria a prática contemporânea da atenção psicossocial e da reabilitação psicossocial. As demais alternativas descrevem efeitos e objetivos coerentes com a musicoterapia em saúde mental, como melhora do humor, estímulo de memória, ampliação de vínculos, autoexpressão e reintegração social. Em resumo: aqui a música não é enfeite, é cuidado com função terapêutica e social.