Kakisaka (2003) relata que o primeiro momento do paciente amputado no setor de terapia ocupacional é bastante delicado e o processo para a protetização deve ser conduzido com muita delicadeza e respeito. O tratamento terapêutico ocupacional, portanto, inicia-se na fase pré-protética, identificando as condições de colocação imediata ou não da prótese, bem como a forma do coto, as condições da cicatriz, a presença de espícula óssea, ou de neuroma doloroso. No programa terapêutico ocupacional pré-protético, ao identificar a presença do neuroma doloroso, o profissional deverá
- A)realizar o ganho ou manutenção da amplitude articular, bem como o fortalecimento de ambos os membros, mesmo que a amputação seja unilateral, evitando, assim, a sobrecarga do membro.
Errada, porque fala de amplitude articular e fortalecimento global, mas não trata especificamente do neuroma doloroso e da dessensibilização do coto.
- B)realizar exercícios ativos visando à manutenção da força muscular e os exercícios passivos, de alongamento, com o objetivo de relaxar toda a musculatura envolvida no manejo e suporte da prótese.
Errada, porque exercícios ativos e passivos ajudam na reabilitação geral, mas não são a medida principal para lidar com neuroma doloroso.
- C)proceder a dessensibilização por tapping, uso de vibração, massagem, descarga de peso na face terminal do coto contra as superfícies de texturas diferentes, desde as mais suaves às mais resistentes.
Certa, pois descreve técnicas clássicas de dessensibilização do coto, indicadas quando há neuroma doloroso na fase pré-protética.
- D)utilizar uma faixa elástica própria, enfaixando o coto no sentido distal para proximal, em oito, com maior pressão distal e diminuindo progressivamente na parte proximal, devendo realizar o enfaixamento com cuidado e evitando pregas.
Errada, porque o enfaixamento é usado para controle de edema e modelagem do coto, não para tratar neuroma doloroso.
Gabarito: C
Na fase pré-protética, a terapia ocupacional prepara o coto para receber a prótese com foco em cicatriz, edema, posicionamento, mobilidade, força e principalmente dessensibilização. Isso porque o paciente amputado costuma apresentar dor, hipersensibilidade e medo de manipular a região, então a abordagem precisa ser gradual e respeitosa, sem “brigar” com o coto. Como lembram autores da reabilitação em amputados, a conduta varia conforme o achado clínico: edema pede enfaixamento, fraqueza pede exercício, e neuroma doloroso pede cuidado sensorial específico. Quando há neuroma doloroso, o profissional deve trabalhar a dessensibilização do coto. Na prática, isso inclui tapping, vibração, massagem e apoio de peso na extremidade do coto, além do contato progressivo com diferentes texturas, começando pelas mais suaves e avançando para as mais resistentes. A lógica é treinar o sistema nervoso para reduzir a resposta dolorosa e tolerar melhor o futuro encaixe da prótese. Por isso a alternativa C está correta: ela descreve exatamente as estratégias clássicas de dessensibilização indicadas para neuroma doloroso no período pré-protético. Não é uma conduta para “fortalecer” ou “modelar” o coto apenas, mas para diminuir a hipersensibilidade local e melhorar a adaptação ao uso protético. Em resumo: neuroma doloroso não se resolve com enfaixamento genérico nem com exercício isolado de força. O nome do jogo aqui é dessensibilização, e a banca quer saber se você reconhece isso sem vacilar.