O Acidente Vascular Encefálico (AVE) é uma das principais causas de incapacidades no mundo, com instalação de sequelas sensoriomotoras, cognitivas e psicoafetivas, com repercussões funcionais nas Atividades de Vida Diária (AVDs) e Atividades Instrumentais de Vida Diária (AIVDs). (CALVACANTE, et al. 2023, p. 1701.) Percebe-se que as pessoas acometidas pelo AVE podem apresentar limitações físicas associadas aos prejuízos a ocupações. Diante disso, em sua intervenção, o terapeuta ocupacional deverá levar em consideração que:
- A)A intervenção precoce em reabilitação na pessoa pós-AVE tende ao favorecimento de independência e autonomia.
Correta: a reabilitação precoce após o AVE melhora a recuperação funcional e favorece independência e autonomia.
- B)Não se deve realizar a sua abordagem apenas centrada no cliente, mas voltar-se mais amplamente para a valorização de ocupações como forma de distração para o indivíduo.
Errada: a Terapia Ocupacional é sim centrada no cliente e nas ocupações significativas, não em uma ideia de ocupação como mera distração.
- C)A doença possui múltiplas características; portanto, o foco deve ser para a realização das atividades de vida diária de forma semi-independente, objetivando o retorno ao convívio social.
Errada: o objetivo não é padronizar uma meta de semidependência nas AVDs, mas promover máxima funcionalidade e participação conforme cada caso.
- D)O paciente deverá conquistar primeiramente a realização autônoma das AIVDs, como escovar os dentes, pentear o cabelo, para posteriormente focar em atividades de AVD, como o lazer e o trabalho.
Errada: a ordem está invertida e os exemplos estão inadequados, porque escovar os dentes e pentear o cabelo são AVDs, não AIVDs, e não há hierarquia fixa assim.
Gabarito: A
No AVE, o tempo faz diferença: quanto antes a reabilitação começa, maiores costumam ser as chances de recuperar funções, treinar compensações úteis e reduzir o impacto das sequelas nas ocupações do dia a dia. Em Terapia Ocupacional, isso significa olhar para a pessoa além do déficit motor, considerando também cognição, emocional, rotina, família e contexto de vida. Afinal, não basta mexer o braço se a pessoa não consegue voltar a se vestir, comer, se organizar para sair de casa ou retomar papéis sociais. É por isso que a intervenção precoce em reabilitação é um ponto forte na assistência pós-AVE: ela favorece independência, autonomia e participação. A lógica é trabalhar o que é significativo para o paciente, com treino funcional, adaptação de tarefas, uso de recursos assistivos e orientação ao cuidador quando necessário. Esse raciocínio está alinhado ao modelo centrado no cliente e à promoção da funcionalidade, não a uma atuação genérica ou só “ocupacional” no sentido de distração. Na prática, o terapeuta ocupacional não deve inverter a prioridade entre AVDs e AIVDs de forma rígida ou artificial. O foco é individualizado, começando pelo que faz sentido e é mais viável para a pessoa naquele momento, com progressão para tarefas mais complexas conforme a recuperação avança. Por isso, a alternativa A está correta: a intervenção precoce tende a favorecer independência e autonomia após o AVE.