A Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa “preconiza a valorização do envelhecimento ativo através da promoção da participação em grupos operativos e em grupos de convivência, com ações de promoção, valorização de experiências e sua disseminação na rede” (Silva & Paixão, 2023, p. 1.553). Nessa perspectiva, a identificação de atividades favoritas é essencial para a prática baseada na ocupação e centrada no cliente. Assinale a afirmativa que aponta as metas e objetivos das intervenções do terapeuta ocupacional.
- A)Devem priorizar a participação nas atividades que realizavam ao longo do processo de envelhecimento, focando nas atividades voltadas à idade dos indivíduos para que as façam com prazer e dedicação.
Errada, porque reduz a intervenção a atividades do passado e à ideia de “idade adequada”, em vez de considerar significados, preferências e metas do cliente.
- B)Desenvolvimento de hábitos e papéis voltados às áreas ocupacionais que o idoso realiza, a saber atividades de cunho laboral, voltando-se para as práticas que não causem lesão e/ou limitem às funções cognitivas e sociais do idoso.
Errada, pois limita a atuação ao campo laboral e ainda traz uma visão restritiva de evitar lesões e prejuízos cognitivos, sem o foco central na ocupação significativa.
- C)Devem ser focados em ocupações e atividades significativas para o cliente, refletindo os valores centrais da terapia ocupacional, ou seja, um olhar centrado na ocupação que respeita as escolhas do cliente, suas metas e valores.
Certa, porque descreve a prática centrada no cliente e na ocupação, respeitando escolhas, valores e metas, que são bases da Terapia Ocupacional.
- D)Identificar as atividades do idoso que são baseadas na ocupação, no desempenho ou no engajamento em atividades significativas e lhe proporcione a integração em atividades laborativas significativas e que lhe remetam às que eram realizadas durante a sua juventude.
Errada, porque direciona a intervenção para integração em atividades laborativas e para a juventude do idoso, fugindo da lógica de significância pessoal e participação ocupacional atual.
Gabarito: C
Na Terapia Ocupacional, a lógica é simples: a intervenção não deve ser guiada pelo que “parece útil” para qualquer pessoa, mas pelo que faz sentido para aquele cliente, naquele momento da vida. Quando falamos de pessoa idosa, isso fica ainda mais importante, porque envelhecer não significa abandonar ocupações significativas, e sim ajustar, preservar e ampliar aquilo que sustenta identidade, autonomia e participação social. A Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa valoriza o envelhecimento ativo e a participação social, o que combina muito com a prática centrada no cliente. Nessa abordagem, o terapeuta ocupacional investiga interesses, valores, metas, papéis e atividades favoritas para construir intervenções que tenham significado real, e não apenas uma lista de tarefas “corretas”. Por isso, a alternativa C está correta: ela destaca ocupações e atividades significativas para o cliente, com respeito às suas escolhas, metas e valores. Esse é exatamente o coração da Terapia Ocupacional contemporânea, alinhada ao modelo centrado no cliente e à prática baseada na ocupação. Em resumo: não é sobre impor atividade, é sobre conectar a intervenção ao que tem sentido para a pessoa. As demais alternativas escorregam ao restringir demais o foco, como se o objetivo fosse apenas manter atividades do passado, priorizar trabalho, ou empurrar o idoso para práticas que não dialogam com sua história e preferências. Em prova, quando aparecer a ideia de significado, escolhas e participação, acenda a luz verde: a banca está falando a língua da Terapia Ocupacional.