Almeida & Trevisan (2023) relatam que na história da terapia ocupacional, como uma herança do tratamento moral, a profissão utilizava o trabalho como recurso terapêutico para a recuperação da racionalidade psíquica, bem como o restabelecimento de saúde, a organização do comportamento, o controle da ociosidade e o entretenimento no interior dos manicômios. Sobre essa fundamentação inicial, assinale a afirmativa correta.
- A)Trouxe inovações epistemológicas, técnicas e éticas que reorientaram a concepção de saúde.
Errada, porque traz a ideia de inovação epistemológica e ética, que é mais compatível com fases posteriores e não com a fundamentação inicial manicomial.
- B)Foi fortemente marcada por um caráter de promoção da adaptação social e pela filosofia humanista.
Certa, pois a base histórica descrita estava voltada para adaptação social, organização do comportamento e uso do trabalho como recurso terapêutico.
- C)Processos de saúde e doença passaram a ser considerados de forma atrelada a determinantes sociais, históricos, econômicos e culturais.
Errada, porque a leitura por determinantes sociais, históricos, econômicos e culturais pertence a uma visão crítica posterior da saúde-doença.
- D)A prática emergiu no âmbito disciplinar, em diálogo com as ciências humanas e movimentos sociais de redemocratização e luta por direitos, reflexões e críticas dos fundamentos da profissão.
Errada, porque menciona redemocratização, ciências humanas e movimentos sociais, elementos ligados à renovação da profissão e não à sua origem no tratamento moral.
Gabarito: B
Essa questão fala da fase inicial da Terapia Ocupacional, muito ligada ao chamado tratamento moral e ao contexto manicomial. Nessa época, o trabalho era visto como instrumento para organizar o comportamento, reduzir a ociosidade e ajudar na recuperação da racionalidade psíquica. Era uma visão bem mais disciplinadora e adaptativa do que crítica ou emancipatória. Perceba que, nesse modelo histórico, a prioridade não era questionar a instituição manicomial, nem os determinantes sociais da loucura. A ideia era fazer a pessoa se ajustar ao ambiente e recuperar funções consideradas normais para a convivência social. Em outras palavras, a ocupação entrava como meio de adaptação e controle, e não como tecnologia de transformação social. Por isso, o gabarito é a letra B. Ela descreve exatamente esse período: a Terapia Ocupacional fortemente marcada pela promoção da adaptação social e por uma filosofia humanista, ainda que dentro de uma lógica histórica muito ligada à normalização e à disciplina. Em concursos, essa diferença entre modelo adaptativo e modelo crítico cai bastante. Já as alternativas que falam em determinantes sociais, redemocratização, direitos humanos e crítica institucional remetem a fases posteriores da profissão, especialmente às influências da Reforma Psiquiátrica e da reorientação da saúde mental no Brasil. Ou seja: são ideias importantes, mas de outra etapa histórica.