Durante a prescrição de adaptações para as AVDs em pacientes pós-AVE, o contexto e o ambiente de tratamento devem ser levados em consideração, bem como a fase em que o paciente se encontra (fase aguda, subaguda ou crónica). (Cruz, 2012, p. 106.) O terapeuta ocupacional, ao prescrever uma adaptação para pacientes pós-Acidente Vascular Encefálico, deve tomar o seguinte cuidado:
- A)O uso do membro afetado deverá ser estimulado, de forma a potencializar seu uso funcional.
Certa: estimular o membro afetado favorece uso funcional, reaprendizado motor e evita desuso, que é exatamente o raciocínio da reabilitação pós-AVE.
- B)Para cortar alimentos deverá ser indicada uma tábua comum para que seja estimulado o membro afetado.
Errada: para cortar alimentos, a adaptação deve facilitar a tarefa com segurança e organização, não obrigatoriamente usar uma tábua comum só para forçar o membro afetado.
- C)A indicação de dispositivos, nos casos crônicos, deverá realizada, exclusivamente, no atendimento ambulatorial.
Errada: dispositivos adaptativos podem ser prescritos em diferentes contextos, inclusive domiciliar e hospitalar, não apenas no atendimento ambulatorial e nem exclusivamente em casos crônicos.
- D)Para o treino da escrita deverá ser estimulado o uso do membro comprometido como principal executor do movimento.
Errada: na escrita, geralmente se busca melhorar a funcionalidade do membro comprometido, mas não como principal executor se isso comprometer a eficiência; a prioridade é adaptar a tarefa de forma funcional.
Gabarito: A
Na reabilitação pós-AVE, a prescrição de adaptações para as AVDs não pode ser feita no modo “receita de bolo”: você precisa considerar a fase clínica, o nível de recuperação motora, o ambiente e o quanto o paciente consegue participar do movimento. O objetivo da adaptação é aumentar independência sem “aposentar” o membro afetado antes da hora. Em terapia ocupacional, sempre que possível, o membro comprometido deve ser estimulado para entrar na atividade, porque o uso funcional favorece reaprendizado motor, plasticidade e prevenção de desuso. Por isso o gabarito está na alternativa A: estimular o membro afetado ajuda a potencializar sua função, em vez de reforçar a compensação total pelo lado preservado. As demais opções erram por favorecerem, de forma inadequada, a substituição ou por trazerem uma regra rígida que não existe na prática clínica.