Os cuidados para a manutenção da qualidade de vida com criança cardiopata evoluíram ao longo dos anos, proporcionando que, mesmo em casos mais complexos, seja possível um melhor prognóstico de vida, propiciando que as condutas terapêuticas visem o cuidado integral para a evolução em longo prazo do indivíduo. Na listagem de possibilidades de intervenções profissionais, no que se refere ao cuidado integral do público abordado, sobretudo no contexto hospitalar, incluem-se os profissionais de terapia ocupacional, cuja intervenção possui o intuito de
- A)favorecer o desenvolvimento neuropsicomotor adequado da criança internada, sobretudo, por meio da ocupação do brincar e das atividades da vida diária.
Certa: a Terapia Ocupacional busca favorecer o desenvolvimento neuropsicomotor da criança internada por meio do brincar e das atividades de vida diária.
- B)promover a adesão ao tratamento medicamentoso; diminuir as restrições ocupacionais e de funcionalidade; modificar o cotidiano; e, diminuir o afastamento social.
Errada: fala de adesão medicamentosa e diminuição de afastamento social, objetivos mais amplos e não o foco principal da intervenção ocupacional hospitalar pediátrica.
- C)propiciar condutas que diminuam a ansiedade e a perda do controle sobre a vida da criança e de sua família, além de auxiliar na busca dos fatores preponderantes para o acometimento das doenças cardiológicas.
Errada: aborda ansiedade e fatores de adoecimento, mas isso se aproxima mais de suporte emocional geral do que do objetivo central da Terapia Ocupacional com a criança cardiopata.
- D)promover possibilidades de cuidados, em que a criança e a família consigam entender a importância dos tratamentos realizados no contexto hospitalar e, ainda, permitir que a criança se entregue integralmente para o tratamento.
Errada: embora a orientação à família seja importante, a ideia de a criança “se entregar integralmente para o tratamento” não representa a proposta ocupacional de preservar atividade, autonomia e desenvolvimento.
Gabarito: A
Na Terapia Ocupacional com a criança cardiopata, especialmente no ambiente hospitalar, o foco não é só “ocupar o tempo”, mas proteger o desenvolvimento e preservar a rotina possível dentro das limitações da internação. A criança internada corre risco de atrasos no desenvolvimento neuropsicomotor, porque fica mais restrita, brinca menos, se movimenta menos e faz menos atividades próprias da infância. Por isso, a intervenção do terapeuta ocupacional costuma usar o brincar, as atividades da vida diária e adaptações do ambiente para estimular marcos do desenvolvimento, favorecer autonomia e evitar que a hospitalização vire uma pausa forçada na vida da criança. Em outras palavras: mesmo no hospital, a criança continua sendo criança. É exatamente isso que a alternativa A descreve: favorecer o desenvolvimento neuropsicomotor adequado da criança internada, sobretudo por meio do brincar e das atividades da vida diária. Essa é uma atuação clássica da Terapia Ocupacional em pediatria hospitalar e em condições crônicas, como as cardiopatias. O objetivo é manter funcionalidade, participação e desenvolvimento, respeitando as condições clínicas. As outras alternativas até trazem ideias relacionadas ao cuidado integral, mas deslocam o foco para adesão medicamentosa, ansiedade familiar ou compreensão do tratamento, que não traduzem tão bem o núcleo da intervenção ocupacional nesse contexto. Aqui, o coração da questão está na promoção do desenvolvimento e da ocupação significativa durante a internação.