Dentre as profissões indicadas para compor uma equipe multiprofissional de atenção à pessoa com insuficiência cardíaca está a terapia ocupacional considerando-se as repercussões que a doença causa nas atividades do cotidiano e na qualidade de vida. Assim, a profissão irá integrar equipes multiprofissionais de atenção a pessoas com insuficiência cardíaca, em razão da real possibilidade de contribuir de forma significativa e efetiva para a elaboração de um plano de cuidados integral e integrado, “onde a integralidade é entendida na perspectiva de abordagem das esferas: física, psicossocial e espiritual, para que seja possível responder às diferentes necessidades e demandas da referida população”. (Queiroz & Foz, 2018.) Sobre a intervenção da terapia ocupacional em pacientes com insuficiência cardíaca, assinale a afirmativa correta.
- A)Entende-se que a repercussão psicológica acomete o paciente durante o tratamento é decorrente do efeito do tratamento farmacológico com diuréticos, que provocam aumento do número de micções e labilidades emocionais, com sensibilidade aumentada, favorecendo, assim, situações de constrangimento, o que acarreta mais isolamento pessoal e social. É neste momento que a terapia ocupacional torna-se importante ao realizar a troca da medicação utilizada pelo paciente.
Errada, porque a terapia ocupacional não troca medicação e o efeito descrito é atribuição indevida ao profissional.
- B)O tratamento engloba a integralidade do indivíduo; por isso, é fundamental que seja realizado por uma equipe multiprofissional, com vistas a atender os diferentes aspectos na proposição de um plano de cuidados que objetiva a minimização dos desconfortos e agravos, ao mesmo tempo em que busca uma melhor adesão do paciente ao tratamento proposto com diminuição da sintomatologia debilitante, a fim de maximizar condição e qualidade de vida do paciente.
Certa, pois destaca o cuidado multiprofissional, integralidade e melhora da qualidade de vida e adesão ao tratamento.
- C)As etapas de intervenção se iniciam com a avaliação do impacto do diagnóstico e a não compreensão sobre o diagnóstico do paciente, além da avaliação dos fatores causadores de momentos de angústia e desamparo por parte da família. Com o tempo, o paciente começa a se familiarizar e a compreender o processo de intervenção, e, ainda, a entender que a sua doença evoluirá, passando, assim, a uma intervenção voltada para os cuidados paliativos, fator que muitas vezes é doloroso por haver confronto com a sua própria fragilidade e vulnerabilidade frente à morte.
Errada, porque cria uma sequência de intervenção com foco em não compreensão, família e cuidados paliativos que não descreve a atuação típica da terapia ocupacional nesse contexto.
- D)O foco profissional deverá voltar-se para a avaliação das alterações no desempenho das atividades cotidianas, buscando identificar as alterações cardiovasculares que causam desconforto e limitam a capacidade funcional ao realizar a atividade e após realizar um relatório para o médico que acompanha o paciente, bem como priorizar a realização das atividades como cuidar da higiene e tomar banho, vestir e despir, preparar a comida e alimentar-se, participar e cuidar do ambiente doméstico e das compras, subir e descer degraus, caminhar de forma independente ou, ainda, com o apoio de um cuidador; porém, acima de tudo, o terapeuta ocupacional deverá trazer atividades que promovam um conforto funcional, mesmo que o paciente asfaça com o apoio integral de um cuidador.
Errada, porque reduz a atuação a um relatório para o médico e ainda traz uma lista rígida de tarefas sem o devido foco em autonomia, adaptação e participação ocupacional.
Gabarito: B
A terapia ocupacional na insuficiência cardíaca entra para olhar o que a doença realmente bagunça no dia a dia: banho, vestir-se, caminhar, subir escadas, cozinhar, organizar a rotina, retornar ao trabalho e até participar da vida social. Não é só “tratar o coração”, mas ajudar a pessoa a viver melhor com a limitação, com menos desconforto e mais autonomia. Por isso, faz todo sentido a atuação em equipe multiprofissional. A insuficiência cardíaca exige cuidado integrado, porque envolve dimensões físicas, emocionais e sociais. Em termos práticos, a terapia ocupacional ajuda a adaptar atividades, orientar economia de ენერგia, ajustar rotina, treinar tarefas e favorecer adesão ao tratamento, sempre com foco em funcionalidade e qualidade de vida. O gabarito é a letra B porque ela traduz exatamente essa lógica do cuidado integral e integrado, com objetivo de minimizar agravos, melhorar a adesão e reduzir sintomas incapacitantes. Isso conversa com a própria organização da assistência em saúde e com a ideia de integralidade do cuidado, muito cobrada em questões de abordagem multiprofissional. As demais alternativas escorregam em pontos clássicos: umas inventam papel da terapia ocupacional que não existe, como trocar medicação, e outras exageram ou deslocam o foco para aspectos que não representam a intervenção ocupacional na insuficiência cardíaca.