A integração sensorial conceitua-se como um processo neurofisiológico, que identifica a função do sistema nervoso central em organizar, interpretar, processar e modular as informações advindas dos sistemas sensoriais, que se associam à aprendizagem, memórias anteriores mantidas no cérebro. Quando esses sistemas se integram, o ser humano é capaz de responder de forma adequada aos estímulos e situações diárias; mas quando o processamento sensorial não acontece adequadamente, há uma Disfunção do Processamento Sensorial (DPS). Crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), em sua maioria, apresentam disfunção do processamento sensorial, com alterações centradas na modulação, evidenciando respostas que podem se caracterizar por hiper ou hiporresponsividade. (Oliveira & Souza, 2022.) Diante do exposto, sobre a DPS em pacientes com Transtorno do Espectro Autista, analise as afirmativas a seguir. I. Mesmo com integração sensorial regulada, a criança apresenta dificuldades para habitar o próprio corpo; no entanto, sem acarretar prejuízos na capacidade da criança em participar, de modo satisfatório, das atividades da vida diária, como a alimentação. II. As crianças com TEA e DPS apresentam dificuldade em regular as respostas diante de um input sensorial; podem utilizar a autoestimulação para compensar seu limiar neurológico ou para evitar tal estímulo. III. As alterações sensoriais apresentadas pelas crianças com TEA não causam impacto na realização das atividades cotidianas, conseguindo, por exemplo, tolerar textura, consistência e temperatura variadas dos alimentos. IV. Entre os desafios do processamento sensorial durante a alimentação está o processamento de muitas sensações advindas da textura do alimento, do sabor, do cheiro, da visão e audição dos ruídos alimentares. Está correto o que se afirma apenas em
- A)I e III.
Errada, porque a afirmativa III nega o impacto funcional da DPS, o que contradiz o quadro típico do TEA.
- B)II e IV.
Certa, pois as afirmativas II e IV descrevem adequadamente a dificuldade de modulação sensorial e o desafio sensorial na alimentação.
- C)III e IV.
Errada, porque a afirmativa III está incorreta ao afirmar que as alterações sensoriais não causam impacto nas atividades cotidianas.
- D)I, II e III.
Errada, porque a afirmativa I reduz indevidamente o prejuízo funcional e a afirmativa III também está incorreta.
Gabarito: B
A integração sensorial é como o "painel de controle" do sistema nervoso: ele recebe os estímulos, organiza tudo e ajuda o corpo a responder do jeito adequado. Quando esse processamento falha, aparece a Disfunção do Processamento Sensorial (DPS), algo muito comum no TEA, principalmente na modulação sensorial, com hiperresponsividade ou hiporresponsividade. Isso pode afetar a alimentação, o vestir, o brincar e até o jeito de a criança tolerar barulhos, cheiros, texturas e movimentos. A afirmativa II está correta porque descreve exatamente esse quadro: a criança com TEA e DPS pode ter dificuldade para regular a resposta ao estímulo sensorial e usar autoestimulação como forma de compensar seu limiar neurológico ou evitar a sobrecarga. Já a afirmativa IV também está correta, porque a alimentação envolve várias entradas sensoriais ao mesmo tempo - textura, sabor, cheiro, visão e até os ruídos produzidos durante a mastigação - e isso pode ser um desafio importante nesses pacientes. As afirmativas I e III estão erradas porque minimizam o impacto funcional da DPS. Se há alteração sensorial relevante, é comum haver prejuízo nas atividades da vida diária, incluindo alimentação, higiene e participação social. Em concurso, desconfie quando a questão tenta "suavizar" o efeito da disfunção: na prática, o problema costuma interferir bastante no desempenho ocupacional. Então, o gabarito é B, pois apenas as afirmativas II e IV correspondem ao que se observa na DPS em crianças com TEA.