A psicomotricidade pode, igualmente, definir-se como uma educação e uma reabilitação especialmente concebidas, desenhadas e implementadas para satisfazer as necessidades desenvolvimentais únicas de indivíduos normais e excepcionais, tendo em vista a realização máxima possível do seu potencial humano total. (FONSECA, 2008, p. 09.) Sobre a atuação do terapeuta ocupacional no desenvolvimento psicomotor infantil, assinale a afirmativa correta.
- A)O terapeuta ocupacional, ao realizar a intervenção de crianças com transtornos psicomotores na escola, inicia a sua atuação após desenvolvida as questões motoras; assim, sanada esta etapa, o profissional entra em contato com a família explanando como irá ocorrer a intervenção, que terá como foco o desenvolvimento psicomotor.
Errada, porque a intervenção não começa só depois de “resolver” o motor, nem a família deve ser chamada apenas ao final, já que a atuação é integrada desde a avaliação.
- B)Antes de se iniciar a intervenção, o profissional deverá realizar observação dos aspectos relevantes para compor uma intervenção nos casos de crianças com transtornos psicomotores; contudo, caso o profissional não consiga realizá-la, deve-se iniciar a intervenção o mais precoce possível, pois a criança se desenvolve muito rapidamente.
Errada, porque a observação clínica é parte essencial da intervenção e não deve ser tratada como dispensável; iniciar às pressas sem avaliar compromete o planejamento terapêutico.
- C)Percebe-se a importância de identificar as possíveis influências das alterações no desenvolvimento da criança, solicitando exames complementares para tal identificação, pois é a partir dessa identificação que o profissional deve propor atividades que possam contribuir para o processo de desenvolvimento psicomotor da criança.
Errada, porque exames complementares podem ajudar em alguns casos, mas não são o eixo principal da atuação do terapeuta ocupacional, que se baseia sobretudo na avaliação funcional e no brincar/atividade.
- D)A terapia ocupacional, quando se apropria desse saber e atua na educação psicomotora, pode contribuir utilizando diversos recursos psicomotores de estimulação aos movimentos da criança, de motivação da capacidade sensitiva e perceptiva, no descobrimento e expressão das suas capacidades, minimizando, assim, as dificuldades de aprendizagem da criança com transtorno psicomotor.
Certa, porque descreve a contribuição da terapia ocupacional na educação psicomotora, usando recursos para estimular movimento, percepção e expressão das capacidades da criança.
Gabarito: D
A terapia ocupacional, quando atua no desenvolvimento psicomotor infantil, olha para a criança de forma global: movimento, sensibilidade, percepção, brincadeira, interação social e aprendizagem caminham juntos. Não faz sentido tratar o motor como se fosse uma peça isolada do quebra-cabeça, porque o desenvolvimento da criança é integrado e acontece na relação com o corpo, o ambiente e as atividades do dia a dia. Na prática, o terapeuta ocupacional pode usar recursos da psicomotricidade para estimular coordenação, equilíbrio, esquema corporal, lateralidade, organização espacial e temporal, sempre com atividades significativas e adequadas à idade. Isso ajuda a criança a explorar suas capacidades, ganhar autonomia e lidar melhor com dificuldades que podem aparecer na escola e na vida cotidiana. Por isso, o gabarito é a alternativa D. Ela traduz exatamente essa atuação: o terapeuta ocupa-se do movimento e também da motivação sensitiva e perceptiva, favorecendo o descobrimento e a expressão das capacidades da criança e contribuindo para reduzir impactos nas aprendizagens. Em termos doutrinários, a ideia está alinhada à psicomotricidade como campo que integra corpo, mente e ação, e à terapia ocupacional como profissão centrada no desempenho ocupacional e no desenvolvimento funcional. As demais alternativas escorregam porque colocam a intervenção em momentos inadequados, exageram a dependência de exames ou fragmentam o processo. Na infância, quanto antes a avaliação e a intervenção forem bem feitas, melhor, mas sempre com observação clínica e planejamento, não com “atalhos” mágicos.