Um paciente de 25 anos trabalha com tratamento de madeira, apresentando quadro de fragilidade da pele, com formação de bolhas e erupções provocadas por pequenos traumas superficiais, principalmente no dorso das mãos, com formação de vesículas e bolhas nas áreas expostas ao sol, além de hipertricose facial com pelos grossos e escuros, como se a barba se distribuísse fora do lugar na saliência malar e na região periorbital. Há ainda a formação de milia nas áreas onde ocorrem as bolhas, especialmente no dorso das mãos. Com base nos dados clínicos e no histórico ocupacional, ele foi diagnosticado com porfiria cutânea tardia. O agente químico relacionado a essa patologia ocupacional acima descrita é o:
- A)mercúrio;
Mercúrio pode causar intoxicação ocupacional, mas não é o agente típico ligado a porfiria cutânea tardia nesse contexto.
- B)pentaclorofenol;
Pentaclorofenol é o agente associado ao tratamento de madeira e é o relacionado ao quadro descrito de porfiria cutânea tardia.
- C)chumbo;
Chumbo se relaciona a anemia e neuropatias, mas não explica o quadro cutâneo fotossensível da questão.
- D)brometo de metila;
Brometo de metila é um fumigante tóxico, porém não é o agente clássico dessa porfiria ocupacional.
- E)bismuto.
Bismuto pode causar efeitos tóxicos, mas não é a substância vinculada ao quadro clínico apresentado.
Gabarito: B
A porfiria cutânea tardia é uma doença em que a pele fica muito sensível, principalmente ao sol, com bolhas, fragilidade, milia e até aumento de pelos em áreas expostas. No trabalho, ela aparece associada a certos agentes químicos que interferem no metabolismo do heme e acabam favorecendo esse quadro cutâneo clássico, bem “entregue” pela pele e pelo histórico ocupacional. No caso da questão, o ponto decisivo é o tratamento de madeira. Entre os produtos usados nesse contexto, o pentaclorofenol é o agente tradicionalmente lembrado em prova como relacionado à porfiria cutânea tardia em trabalhadores expostos. A banca descreveu sinais bem típicos: bolhas no dorso das mãos, lesões em áreas expostas ao sol, hipertricose facial e milia, que fecham o diagnóstico clínico do quadro porfírico. A lógica da questão é ocupacional: madeira tratada + lesões fotossensíveis + hipertricose = pense em exposição química associada à porfiria cutânea tardia. Em provas, o raciocínio costuma ser mais de associação clínica e ambiental do que de toxicologia pura e dura. Aqui, o agente que conversa com esse cenário é o pentaclorofenol, e por isso o gabarito é a letra B. Vale lembrar que a porfiria cutânea tardia não é o mesmo que intoxicação por metais pesados clássicos. A FGV gosta de misturar sinais parecidos para ver se você identifica o agente certo pelo contexto profissional. Se o enunciado fala de madeira tratada e foto-sensibilidade com bolhas, acenda a luz amarela para compostos preservantes da madeira.