Trabalhadora de um restaurante industrial, onde executa as funções de auxiliar de cozinha, cujas atividades são principalmente servir alimentos e lavar utensílios, procura um médico ortopedista, com dores persistentes no punho direito, principalmente em sua face radial, com dificuldade para segurar objetos. Ao exame clínico, a trabalhadora apresentava sinais de Phalen e Tinel negativos, e sinal de Finkelstein positivo. O diagnóstico mais provável para essa trabalhadora é:
- A)tenossinovite dos músculos flexores do carpo;
Errada, porque flexores do carpo se relacionam mais com dor anterior do punho e não explicam o sinal de Finkelstein positivo.
- B)síndrome do Túnel do Carpo;
Errada, porque a síndrome do túnel do carpo costuma ter Phalen e/ou Tinel positivos, com parestesias no território do nervo mediano.
- C)síndrome do Canal de Guyon;
Errada, porque a síndrome do canal de Guyon acomete o nervo ulnar e dá sintomas na borda ulnar da mão, não na face radial do punho.
- D)tenossinovite de De Quervain;
Certa, porque o quadro de dor radial no punho com Finkelstein positivo é típico de tenossinovite de De Quervain.
- E)tenossinovite dos músculos extensores do carpo.
Errada, porque extensores do carpo não descrevem o padrão clássico de dor radial com teste de Finkelstein positivo.
Gabarito: D
A questão descreve uma dor na face radial do punho, com dificuldade para segurar objetos, e traz um detalhe decisivo: o sinal de Finkelstein positivo. Esse conjunto aponta para inflamação dos tendões do primeiro compartimento dorsal do punho, que envolve principalmente o abdutor longo e o extensor curto do polegar. Em termos práticos, é aquela dor clássica do movimento repetitivo de pegar, torcer, erguer e sustentar coisas, bem compatível com trabalho manual em cozinha. Os testes de Phalen e Tinel negativos ajudam a afastar síndrome do túnel do carpo, porque esses sinais costumam sugerir compressão do nervo mediano. Já o Finkelstein positivo é praticamente a pista que a banca quer que você enxergue: ele é típico de tenossinovite de De Quervain, que é uma inflamação estenosante na bainha dos tendões do polegar, na região do estiloide radial. Na rotina ocupacional, isso pode aparecer em atividades com movimentos repetitivos de pinça, preensão e desvio ulnar do punho, como servir alimentos e lavar utensílios. Em concursos, a FGV gosta de misturar localização da dor, sinais clínicos e nomes parecidos de tendinites para testar se você sabe diferenciar punho, polegar e compressão nervosa. Como referência doutrinária, a De Quervain é tratada como uma tenossinovite por esforço repetitivo da região do punho radial. Em saúde ocupacional, esse tipo de quadro costuma ser enquadrado entre as doenças relacionadas ao trabalho quando há nexo com movimentos repetitivos e sobrecarga biomecânica.