Um trabalhador auxiliar de produção em indústria de calçados, exposto a solventes orgânicos, procura o médico do trabalho da empresa com quadro de parestesias e paresia periférica no membro superior direito. A seguinte substância pode estar relacionada com a etiologia desse caso:
- A)fenol.
Fenol é cáustico e tóxico, mas não é o solvente mais associado ao quadro de neuropatia periférica descrito.
- B)tolueno.
Tolueno pode causar efeitos neurológicos, porém o quadro clássico de paresia periférica em trabalhador de calçados aponta mais para n-hexano.
- C)n-hexano.
Correta, porque o n-hexano é um solvente ligado à neuropatia periférica tóxica, muito lembrado em exposições ocupacionais na indústria de calçados.
- D)tetracloreto de carbono.
Tetracloreto de carbono é mais conhecido por hepatotoxicidade importante, não por neuropatia periférica típica.
- E)metanol.
Metanol é famoso por toxicidade ocular e acidose metabólica, e não pelo padrão de neuropatia periférica da questão.
Gabarito: C
Quando voce ve um trabalhador exposto a solventes orgânicos e surgem parestesias com paresia periférica, pense logo em neuropatia tóxica. Esse quadro é clássico de exposição ao n-hexano, muito usado em colas e solventes da indústria de calçados, e pode causar lesão dos nervos periféricos com fraqueza e formigamento, especialmente em membros. O mecanismo mais lembrado é a formação de metabólitos neurotóxicos, como a 2,5-hexanodiona, que agravam a neuropatia periférica. Na prática de saúde do trabalhador, a suspeita clínica vem da história ocupacional bem feita, porque o “endereço” do problema muitas vezes está no posto de trabalho, não só no prontuário.