Um Promotor de Justiça do Estado Delta que exerce esse cargo há cerca de quinze anos, procurou um médico psiquiatra com queixas de muita indisposição e irritabilidade para executar suas atividades ocupacionais no último ano e, há cerca de quarenta e cinco dias, falta completa de motivação para o trabalho, assim como crises de ausência no exercício de suas atividades profissionais. Ele refere que sua produtividade no trabalho diminuiu nesse período, sendo necessário executar atividades laborais em sua residência, o que tem agravado ainda mais o quadro. Nesse caso, o psiquiatra tem a necessidade de aprofundar sua investigação, suspeitando o diagnóstico de
- A)síndrome de burn-out.
Correta: o quadro é compatível com burn-out, com desgaste ocupacional progressivo, irritabilidade, desmotivação e queda de desempenho no trabalho.
- B)estresse pós-traumático relacionado ao trabalho.
Incorreta: estresse pós-traumático exige evento traumático específico e sintomas típicos como revivescência e hipervigilância, o que não aparece no enunciado.
- C)estado depressivo moderado.
Incorreta: apesar de haver sintomas depressivos, o caso está descrito em conexão direta com o trabalho e com padrão de esgotamento ocupacional.
- D)reações ao stress grave e transtornos de adaptação no trabalho.
Incorreta: reações ao stress grave e transtornos de adaptação costumam se ligar a estressor identificável e mais recente, com quadro menos típico de desgaste crônico profissional.
- E)síndrome de despersonalização-desrealização.
Incorreta: despersonalização-desrealização é um fenômeno dissociativo, com sensação de estranhamento de si ou do ambiente, e não explica o conjunto do caso.
Gabarito: A
A questão aponta para um quadro clássico de sofrimento psíquico ligado ao trabalho, com desgaste progressivo, queda de produtividade, irritabilidade, desmotivação e dificuldade de manter o desempenho profissional. Em concursos, isso costuma aparecer com cara de cansaço emocional, distanciamento da atividade e sensação de esvaziamento, especialmente quando o problema evolui ao longo do tempo e começa a interferir de forma importante no trabalho. O diagnóstico mais compatível é a síndrome de burn-out, ou síndrome do esgotamento profissional. Ela está associada a estresse crônico no ambiente ocupacional e costuma envolver três eixos bem conhecidos na doutrina: exaustão emocional, despersonalização ou cinismo e redução da realização profissional. A literatura em saúde do trabalhador e em psicologia ocupacional trata esse quadro como resultado do desgaste contínuo, e não como um evento isolado. No caso narrado, há um histórico de cerca de um ano de indisposição e irritabilidade, seguido de piora recente com falta de motivação e crises de ausência no trabalho, além de prejuízo funcional importante. Isso combina muito mais com esgotamento ocupacional do que com um transtorno episódico ou com uma reação aguda a evento traumático. O ponto-chave é olhar a relação com o trabalho e a evolução insidiosa do quadro. Em termos práticos, a banca quer que você reconheça o padrão: quando o enunciado fala em desgaste prolongado, queda de rendimento, desânimo e sofrimento ligado à atividade laboral, pense primeiro em burn-out. O restante das alternativas tenta puxar você para diagnósticos psiquiátricos diferentes, mas o retrato clínico e ocupacional aqui é bem típico de esgotamento profissional.