As pneumonites por hipersensibilidade, desenvolvidas a partir de exposições no trabalho, compreendem:
- A)pneumopatias ocupacionais originadas a partir da exposição a poeiras que desencadeiam processo de fibrose intersticial difuso, cuja evolução leva à insuficiência respiratória;
Errada, porque descreve mais o padrão de pneumoconiose/fibrose por poeiras inorgânicas do que uma pneumonite de hipersensibilidade.
- B)doenças que têm em comum a inalação de substâncias antigênicas presentes no ambiente de trabalho, resultando em um infiltrado mononuclear difuso nos bronquíolos terminais e alvéolos;
Certa, pois aponta a inalação de antígenos no trabalho com inflamação mononuclear difusa em bronquíolos terminais e alvéolos, que é o quadro típico.
- C)pneumopatias ocupacionais originadas a partir da exposição de substâncias químicas que desencadeiam reações autoimunes que, por sua vez, provocarão processo inflamatório secundário no pulmão;
Errada, porque não se trata de substâncias químicas gerando reação autoimune como mecanismo principal, e sim de antígenos inalados com resposta de hipersensibilidade.
- D)pneumopatias ocupacionais originadas a partir da exposição de substâncias químicas que desencadeiam enfisema agudo, com perda da capacidade respiratória;
Errada, porque pneumonite de hipersensibilidade não é enfisema agudo nem se define por perda súbita da capacidade respiratória desse modo.
- E)doenças que têm em comum a inalação de substâncias químicas altamente irritantes para a trama brônquica, resultando em distúrbio restritivo a partir de broncoespasmo.
Errada, porque mistura irritantes brônquicos com broncoespasmo e distúrbio restritivo, o que remete mais a asma/irritação das vias aéreas do que ao quadro intersticial clássico.
Gabarito: B
As pneumonites por hipersensibilidade, também chamadas de alveolite alérgica extrínseca, são reações inflamatórias do pulmão provocadas pela inalação repetida de antígenos no ambiente de trabalho, como poeiras orgânicas, fungos, proteínas de aves e outros agentes sensibilizantes. O ponto central aqui é a resposta imune do organismo: ele reconhece essas partículas como agressoras e passa a inflamar bronquíolos terminais e alvéolos. O quadro clássico não é de uma simples irritação das vias aéreas, mas de uma inflamação difusa com infiltrado mononuclear, podendo evoluir para fibrose se a exposição continuar. Por isso, a doença pode começar de forma mais discreta, com tosse, falta de ar e mal-estar, e depois ficar bem mais séria. Em termos de raciocínio de prova, pense em "inalação de antígeno" + "pulmão inflamado em nível alveolar". A alternativa B está correta porque descreve exatamente essa lógica: exposição ocupacional a substâncias antigênicas e infiltrado mononuclear difuso nos bronquíolos terminais e alvéolos. Isso corresponde à fisiopatologia clássica das pneumonites por hipersensibilidade. Não confunda com pneumoconioses por poeiras inorgânicas, com doenças autoimunes primárias ou com lesão por irritantes químicos. Aqui o problema é a hipersensibilização imunológica por antígeno inalado, e não apenas agressão mecânica ou tóxica. A doutrina de medicina do trabalho e de pneumologia ocupacional trata esse quadro exatamente como doença respiratória intersticial por exposição ambiental ocupacional.