O departamento de recursos humanos de uma empresa de telemarketing constatou que, numa das suas centrais de atendimento, a taxa de absenteísmo estava muito elevada, e solicitou ao serviço médico da empresa uma avaliação da situação e providências para solução. A análise do processo de trabalho daquela central verificou elevado “presenteísmo” (pessoas que trabalham doentes), queixas de sobrecarga de demanda para cumprimento de metas, posturas inadequadas, assim como alta prevalência de casos de transtornos mentais e de doenças do sistema osteomuscular. Nesse caso, as melhores medidas a serem tomadas pelo serviço médico são:
- A)aperfeiçoar Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) para o diagnóstico precoce de patologias osteomusculares e mentais no exame admissional, melhorando a seleção dos trabalhadores para a central;
Errada, porque reforça a seleção no exame admissional e não enfrenta o ambiente e a organização do trabalho que estão causando o adoecimento.
- B)realizar estudo de adequação ergonômica do mobiliário e equipamentos dos postos de trabalho, e instituir um programa de pausas programadas, com ginástica laboral e atividades breves de descontração;
Errada, porque medidas de ergonomia e pausas ajudam, mas a proposta fica incompleta ao não incluir vigilância epidemiológica nem mudanças na organização do trabalho.
- C)realizar estudo de adequação ergonômica do mobiliário e equipamentos dos postos de trabalho, e instituir um programa de suporte psicológico a partir de grupos terapêuticos com os trabalhadores;
Errada, porque suporte psicológico em grupo é útil, mas sozinho não corrige os fatores ergonômicos e psicossociais que geram os transtornos.
- D)instituir um programa de pausas programadas, com ginástica laboral, e um programa de acompanhamento psicológico individual dos trabalhadores;
Errada, porque pausas e acompanhamento psicológico individual são medidas pontuais e não resolvem a causa coletiva do problema.
- E)instituir um programa de vigilância epidemiológica, a partir do aperfeiçoamento dos exames periódicos, e um programa de modificações da organização do trabalho a partir de avaliação ergonômica, incluindo aspectos psicodinâmicos e biomecânicos do trabalho.
Certa, porque associa vigilância epidemiológica com intervenção na organização do trabalho, incluindo avaliação ergonômica dos aspectos psicodinâmicos e biomecânicos.
Gabarito: E
Em telemarketing, o problema raramente se resolve só com “mais exame” ou com medidas isoladas de conforto. Quando há presenteísmo, metas abusivas, postura inadequada e aumento de transtornos mentais e doenças osteomusculares, o foco correto é olhar o trabalho como um sistema: organização, ritmo, exigências cognitivas, postura, mobiliário e fatores psicossociais. Em outras palavras, não basta tratar o adoecimento depois que ele aparece; é preciso vigiar o processo de trabalho e atacar suas causas. A lógica da saúde ocupacional e da ergonomia é preventiva e coletiva. A NR-17 exige adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, o que inclui análise ergonômica, organização das tarefas, mobiliário, equipamentos e pausas. Já o PCMSO, da NR-7, serve para monitorar a saúde e detectar agravos precocemente, com exames ocupacionais e vigilância clínica, mas ele sozinho não corrige a origem do problema. Por isso, a alternativa E é a melhor: combina vigilância epidemiológica, com uso de exames periódicos para acompanhar padrões de adoecimento, e modificações na organização do trabalho a partir de avaliação ergonômica, contemplando aspectos psicodinâmicos e biomecânicos. Isso casa perfeitamente com o quadro descrito, que mistura sofrimento mental e sobrecarga física. É a resposta que vai além do curativo e mira a causa do adoecimento. As demais opções tentam resolver tudo com ginástica laboral, pausas ou suporte individual, mas isso é como colocar band-aid em problema estrutural. Em concurso, quando aparecer adoecimento coletivo em setor de teleatendimento, pense em ergonomia, organização do trabalho, vigilância em saúde e prevenção primária.