Em um grande hotel foi solicitada, pelo gerente de recursos humanos, ao médico do trabalho, uma intervenção no processo de trabalho no setor de lavanderia de roupas. Foi constatado um aumento do absenteísmo e os trabalhadores referem sobrecarga e ritmo muito acelerado das tarefas. A média de idade dos trabalhadores do setor é de 36 anos. Com base no que foi exposto, é correto afirmar que
- A)devido à média de idade dos trabalhadores estar acima de 35 anos, a melhor solução seria sugerir a terceirização do setor;
Errada: a idade média de 36 anos não autoriza terceirização, e o problema descrito é de organização do trabalho, não de faixa etária.
- B)nesse caso, há a necessidade de se implantar um programa de vigilância epidemiológica e melhoria dos exames periódicos do setor;
Errada: vigilância epidemiológica e exames periódicos podem compor o cuidado, mas não resolvem a causa principal, que é ergonômica e produtiva.
- C)a melhor conduta a ser tomada pelo médico do trabalho é instituir um programa de ginástica laboral no setor, com pausas programadas;
Errada: ginástica laboral e pausas podem ajudar como medida complementar, mas não substituem a intervenção estrutural no processo e nos equipamentos.
- D)o médico do trabalho deve propor a substituição das máquinas do setor por máquinas mais ergonômicas e propor o aumento do número de trabalhadores;
Certa: a medida atua na causa do adoecimento, com adequação ergonômica das máquinas e reforço do quadro para reduzir sobrecarga e ritmo excessivo, em linha com a NR-17.
- E)a solução a ser tomada pelo médico do trabalho é instituir um grupo terapêutico com os trabalhadores do setor.
Errada: grupo terapêutico pode ser apoio psicossocial, mas não corrige o excesso de demanda nem a inadequação do trabalho.
Gabarito: D
Quando o problema aparece no processo de trabalho, a primeira reação do médico do trabalho não é sair distribuindo “soluções mágicas” individuais, mas olhar para a organização e para o ambiente. Aqui, o relato é clássico de sobrecarga: ritmo acelerado, absenteísmo crescente e tarefas exigindo esforço acima do razoável. Isso aponta para um problema de ergonomia e de dimensionamento da equipe, não para uma questão de idade média dos trabalhadores. Nesses casos, a conduta adequada é propor intervenção no posto e no processo: melhorar as máquinas, adaptar o trabalho ao ser humano e, se necessário, aumentar o número de trabalhadores para reduzir a sobrecarga. Isso conversa diretamente com a NR-17, que trata de ergonomia e determina que as condições de trabalho devem ser adaptadas às características psicofisiológicas dos trabalhadores. Por isso, a alternativa D está correta: ela ataca a causa do problema, que é organizacional e ergonômica. Trocar equipamento por máquinas mais ergonômicas e ajustar o efetivo é uma medida preventiva real, com impacto em fadiga, adoecimento e absenteísmo. As demais opções tentam empurrar o caso para soluções paliativas ou desconectadas do diagnóstico. Em concurso, quando o enunciado grita “ritmo acelerado” e “sobrecarga”, pense em ergonomia primeiro e em “consertar o trabalho”, não em maquiar o sintoma.