A intoxicação por metilmercúrio (mercúrio orgânico) pode apresentar os seguintes sinais:
- A)sinais radiológicos de depósito nos ossos, cólicas abdominais, hepatite tóxica, miopatia degenerativa;
Errada, porque depósito nos ossos, cólicas abdominais, hepatite tóxica e miopatia degenerativa não são o padrão clássico da intoxicação por metilmercúrio.
- B)paralisia cerebral, parestesia, coma, déficits visuais;
Certa, porque metilmercúrio causa principalmente neurotoxicidade, com parestesia, coma, déficits visuais e lesão neurológica grave, inclusive em crianças expostas na gestação.
- C)gengivite, insuficiência hepática, miopatia degenerativa, tremores nas extremidades;
Errada, porque gengivite, insuficiência hepática e linha de Burton não caracterizam o quadro típico do metilmercúrio.
- D)neuropatia periférica, gengivite com “linha de Burton”, hepatite tóxica, raio x de tórax com sinais radiológicos de depósito;
Errada, porque linha de Burton e gengivite remetem mais à intoxicação por chumbo, além de raio X com depósito não ser achado esperado no metilmercúrio.
- E)miopatia degenerativa, sinais radiológicos de depósito nos ossos, mercúrio metálico no sangue, gengivite com “linha de Burton”.
Errada, porque depósito nos ossos e linha de Burton não são sinais de metilmercúrio, e a descrição mistura achados de outros agentes tóxicos.
Gabarito: B
A intoxicação por metilmercúrio, forma orgânica do mercúrio, tem predomínio de efeitos neurológicos. O quadro clássico lembra a doença de Minamata: parestesia, alteração da coordenação, déficit visual, alterações auditivas e, nos casos graves, coma. Em exposições durante a gestação, o mercúrio orgânico pode afetar fortemente o sistema nervoso em desenvolvimento, causando danos neurológicos importantes, inclusive quadro compatível com paralisia cerebral. Por isso, a alternativa B é a correta: ela reúne sinais típicos de neurotoxicidade por metilmercúrio, como parestesia, coma, déficits visuais e paralisia cerebral. Não é uma intoxicação de gengiva, osso ou fígado como foco principal, e muito menos um quadro de depósito radiológico em ossos. Aqui, o mercúrio ataca principalmente o cérebro e os nervos, não faz festa em gengiva nem deixa “linha de Burton”, que é mais ligada ao chumbo. Na prática, a banca gosta de cobrar essa diferença entre as formas do mercúrio. O metilmercúrio é o vilão da neurotoxicidade, especialmente por ingestão de peixes contaminados. Já outras substâncias e metais costumam dar sinais bem diferentes, como alterações gastrointestinais, hematológicas ou depositos específicos em tecidos.