Trabalhador de uma indústria metalúrgica, após cinco anos de trabalho, teve diagnosticado início de perda auditiva induzida por ruído (PAIR). Trata-se de uma característica da PAIR:
- A)ser sempre do tipo neurossensorial, lesando na orelha interna as células do Órgão de Corti;
Correta: a PAIR é tipicamente neurossensorial e decorre de lesão coclear, especialmente das células do Órgão de Corti.
- B)apresentar progressão significativa bilateralmente mesmo na exposição descontinuada;
Errada: a evolução pode ocorrer, mas não é correto afirmar progressão significativa bilateralmente como regra, especialmente em exposição descontinuada.
- C)ser sempre bilateral, de tipo misto, evoluindo com padrões audiométricos distintos em cada um dos lados;
Errada: a PAIR não é do tipo misto nem apresenta, como característica obrigatória, padrões audiométricos distintos em cada lado.
- D)apresentar, inicialmente, perdas maiores nas frequências de 500, 1000 e 2000 hertz;
Errada: a perda inicial costuma atingir frequências altas, como 3.000, 4.000 e 6.000 Hz, e não as frequências da fala.
- E)produzir perda auditiva tipo neurossensorial profunda, reversível se cessada a exposição.
Errada: a PAIR não é tipicamente profunda e, em regra, não é reversível com a cessação da exposição.
Gabarito: A
A PAIR, ou perda auditiva induzida por ruído, é um quadro clássico da medicina do trabalho: começa devagar, vai “roubando” a audição aos poucos e costuma pegar primeiro as frequências mais altas. O trabalhador muitas vezes nem percebe no início, porque no começo o dano é silencioso mesmo, sem alarde, bem do jeito que o ruído gosta de agir. A característica mais importante é que ela é uma perda auditiva do tipo neurossensorial. Isso acontece porque o ruído lesiona principalmente as células ciliadas da cóclea, no Órgão de Corti, na orelha interna. Em outras palavras, o problema não está no ouvido externo nem no tímpano: o estrago é lá dentro, na “parte fina” da audição. Além disso, a PAIR costuma ser bilateral, simétrica ou aproximadamente simétrica, e apresenta curva audiométrica típica com piora inicial em frequências como 3.000, 4.000 e 6.000 Hz, podendo depois atingir frequências da fala. Ela é, em regra, irreversível. Esse é o ponto que cai em prova com gosto: ruído crônico não faz milagre de recuperação só porque o trabalhador parou de se expor. Por isso, o gabarito é a letra A: a PAIR é sempre do tipo neurossensorial, com lesão na orelha interna, especialmente nas células do Órgão de Corti. Esse entendimento é o padrão consagrado na doutrina de saúde ocupacional e nos critérios técnicos usados na vigilância audiológica ocupacional, como nos programas de conservação auditiva e monitoramento previstos na NR-7.