Trabalhador do sexo masculino, 53 anos, atualmente exerce a função de capataz em empresa de fundações, realiza atividades no interior do tubulão há mais de dez anos. Apresenta queixa de dor coxo-femoral esquerda e claudicação. Há 1 ano os sintomas tiveram início e evoluíram progressivamente. A hipótese diagnóstica é:
- A)barotrauma corporal.
Errada, porque barotrauma corporal é lesão aguda por diferença de pressão, não um quadro crônico de dor coxo-femoral com evolução lenta.
- B)doença descompressiva.
Errada, porque doença descompressiva costuma ter manifestação mais aguda ou subaguda após a mudança de pressão, e não se apresenta tipicamente como claudicação progressiva por um ano.
- C)barotrauma cutâneo.
Errada, porque barotrauma cutâneo afeta a pele por pressão e não explica dor no quadril com repercussão funcional óssea.
- D)intoxicação por nitrogênio.
Errada, porque intoxicação por nitrogênio não é a melhor hipótese para esse quadro; o enunciado aponta para sequela osteoarticular da exposição à pressão, não para intoxicação sistêmica.
- E)osteonecrose asséptica de fêmur.
Certa, pois a exposição prolongada a ar comprimido em tubulão pode causar osteonecrose asséptica, especialmente no fêmur, com dor progressiva e claudicação.
Gabarito: E
Quando o trabalhador atua em ambiente pressurizado, como tubulões, há exposição prolongada a ar comprimido e a variações de pressão que podem causar efeitos tardios no organismo. Um dos quadros clássicos é a osteonecrose asséptica, especialmente em fêmur e ombro, que aparece com dor progressiva e limitação funcional, exatamente como na questão. A lógica é simples: o excesso de nitrogênio dissolvido nos tecidos, após exposições repetidas ou prolongadas, pode gerar microlesões e comprometimento da irrigação óssea. Com o tempo, isso leva à necrose do osso sem infecção, por isso o nome asséptica. A queixa de dor coxo-femoral e claudicação, com evolução lenta ao longo de um ano, combina muito mais com lesão osteoarticular crônica do que com um acidente agudo de descompressão. Esse tema é cobrado dentro dos riscos ocupacionais de trabalhos sob ar comprimido, especialmente em obras de fundação, túneis e caixões pneumáticos. Na prática, o trabalhador pode até ter tido episódios prévios de doença descompressiva, mas o quadro descrito aqui aponta para a sequela tardia mais típica: osteonecrose por exposição crônica à pressão aumentada. Então, o gabarito está correto porque a história clínica não fala de sintoma imediato de barotrauma, e sim de dor persistente, progressiva e localizada no quadril, compatível com osteonecrose asséptica do fêmur. É aquele tipo de questão em que a banca descreve o cenário ocupacional e o corpo responde com a pista mais importante: lesão óssea crônica, não um evento agudo.