Determinada trabalhadora, 45 anos, operadora de linha de produção em uma fábrica de peças automotivas, relata ao médico do trabalho dores intensas na região lombar e fadiga ao final da jornada. Durante a avaliação, ela informa que sua atividade principal envolve a movimentação manual de peças com peso médio de 15 kg, em turnos de oito horas diárias. A altura da bancada de trabalho não é ajustável, obrigando a trabalhadora a inclinar o tronco repetidamente para alcançar os materiais. A empresa solicita orientações para prevenir o agravamento do quadro clínico e reduzir o risco de novas ocorrências. Com base nos princípios de ergonomia e biomecânica, qual a melhor intervenção inicial nesse caso?
- A)Substituir a trabalhadora de sua função para evitar novas lesões e encaminhá-la para a fisioterapia.
Errada, porque afastar a trabalhadora e encaminhar para fisioterapia pode ajudar no tratamento, mas não corrige a causa ergonômica do problema.
- B)Solicitar uma análise ergonômica detalhada após a confirmação de outros casos semelhantes na linha de produção para intervenções no processo.
Errada, porque a análise ergonômica não deve depender da confirmação de outros casos; a prevenção deve começar já diante do risco identificado.
- C)Realizar exames de imagem para avaliar a gravidade da lesão lombar e recomendar atividades físicas fora do ambiente de trabalho para fortalecer a musculatura da coluna.
Errada, porque exames de imagem e atividade física fora do trabalho não atacam a origem ocupacional da sobrecarga lombar.
- D)Realizar ajustes na altura da bancada de trabalho, adaptar dispositivos mecânicos para auxiliar na elevação de cargas e oferecer treinamento sobre técnicas de movimentação manual.
Certa, porque ajusta o posto de trabalho, reduz a necessidade de esforço manual e melhora a biomecânica da tarefa, prevenindo o agravamento do quadro.
- E)Implementar pausas programadas durante o turno de trabalho para reduzir a sobrecarga musculoesquelética e fornecer medicamentos analgésicos para aliviar os sintomas da dor lombar.
Errada, porque pausas e analgésicos podem aliviar sintomas, mas não eliminam o fator causador da sobrecarga musculoesquelética.
Gabarito: D
A questão gira em torno de ergonomia aplicada ao trabalho real, aquele em que o corpo não pode ser tratado como peça sobressalente. Quando há levantamento manual de cargas, postura inclinada repetidamente e jornada longa, o risco de lombalgia aumenta bastante, porque a coluna recebe sobrecarga mecânica contínua. Nessas situações, a primeira resposta mais inteligente não é “esperar piorar” nem apenas remediar a dor, mas atacar a causa do problema no posto de trabalho. Por isso, a melhor intervenção inicial é adaptar o ambiente e a tarefa: ajustar a altura da bancada para evitar flexão excessiva do tronco, usar dispositivos mecânicos ou auxiliares para movimentação de cargas e orientar a forma correta de manuseio manual. Isso segue a lógica da ergonomia preventiva e da NR-17, que exige adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores. Repare que o foco aqui é biomecânico: menos alavanca ruim, menos sobrecarga lombar, menos repetição de postura inadequada. Quando você melhora o posto, você age na origem do dano. Já medidas como exames, remédios, fisioterapia ou afastamento podem até ter papel complementar, mas não resolvem o principal: a fonte do adoecimento ocupacional. Em prova, guarde a ideia central: em saúde ocupacional, o primeiro passo costuma ser intervenção no processo e no ambiente, não apenas no sintoma da pessoa. É a diferença entre apagar o incêndio e tirar o vazamento de gás da cozinha.