Um técnico em segurança do trabalho foi chamado para avaliar as condições em um setor industrial onde trabalhadores realizam atividades de lixamento manual de peças metálicas, gerando poeira fina. Durante a avaliação, ele percebeu que a ventilação do local era inadequada, e nenhum sistema de exaustão estava instalado. Apesar disso, os trabalhadores utilizavam máscaras descartáveis do tipo PFF1. Com base nos princípios da higiene ocupacional e nas normas aplicáveis, qual medida prioritária deverá ser adotada?
- A)Implantar um sistema de exaustão local exaurida para remover as partículas diretamente da fonte geradora, reduzindo a concentração de poeira no ambiente.
Correta, porque a exaustão local exaurida atua na fonte geradora e é a medida prioritária na hierarquia de controles.
- B)Fornecer máscaras do tipo PFF2 para os trabalhadores, já que elas possuem maior capacidade de retenção de partículas e estão de acordo com a legislação vigente.
Errada, porque trocar a máscara não resolve a falha principal do ambiente e EPI não é a primeira medida quando há controle coletivo viável.
- C)Realizar treinamentos com os trabalhadores para reforçar o uso correto dos equipamentos de proteção respiratória e o descarte adequado das máscaras após o uso.
Errada, porque treinamento ajuda, mas não substitui a eliminação ou redução do agente no ambiente.
- D)Avaliar a concentração de partículas suspensas no ambiente para determinar se os níveis estão dentro dos limites de tolerância estabelecidos e, só então, adotar medidas de controle.
Errada, porque a avaliação da exposição é importante, mas a questão já descreve um risco conhecido que exige medida de controle imediata.
Gabarito: A
Quando o problema é poeira fina gerada no lixamento, a primeira ideia não deve ser “caprichar na máscara”, e sim controlar o agente na fonte. Em higiene ocupacional, a lógica é simples: primeiro tenta-se eliminar ou reduzir o risco no próprio processo; só depois entram as proteções coletivas, administrativas e, por fim, os EPIs. Isso está alinhado ao princípio da hierarquia de controles, adotado na prática prevencionista e compatível com as NRs de SST, especialmente a NR-01 (PGR) e a NR-09, que priorizam medidas de prevenção mais eficazes. No caso, a ventilação do local é inadequada e não existe exaustão. Então o melhor caminho é instalar um sistema de exaustão local exaurida, porque ele capta o contaminante perto da geração e evita que a poeira se espalhe pelo ambiente e seja inalados pelos trabalhadores. É o famoso “cortar o mal pela raiz”, só que com engenharia. As máscaras PFF1 ajudam, mas não resolvem o problema principal. EPI não substitui controle coletivo quando há possibilidade técnica de atuar na fonte. A própria lógica normativa da proteção respiratória, prevista na NR-06 e em programas de proteção respiratória, é complementar: o respirador entra quando os controles coletivos não eliminam totalmente a exposição ou enquanto estão sendo implantados. Por isso, a alternativa A está correta: a medida prioritária é a exaustão local, pois reduz a concentração de poeira no ambiente e protege todos os trabalhadores do setor, não apenas quem está usando a máscara corretamente.