Determinada operadora de caixa, 29 anos, trabalha em um supermercado há cinco anos, procurou o médico do trabalho relatando dor persistente nos punhos e sensação de formigamento nas mãos. A dor piora durante o turno e melhora parcialmente após repouso. Ela menciona que realiza movimentos repetitivos e, frequentemente, tem que elevar o pulso acima do nível do cotovelo para passar produtos no scanner. Durante a avaliação, foi identificado que outros colaboradores do mesmo setor relataram sintomas semelhantes. A empresa solicita um plano de intervenção para evitar o agravamento dos quadros existentes e prevenir novos casos entre os trabalhadores. Considerando o caso hipotético, assinale, a seguir, a melhor estratégia de prevenção de distúrbios relacionados ao trabalho nesse cenário.
- A)Realizar rodízio diário entre os postos de trabalho e fornecer órteses para os trabalhadores do setor, a fim de prevenir novos sintomas.
Errada, porque rodízio e órteses isoladamente não corrigem a causa principal do problema ergonômico e podem até mascarar a inadequação do posto.
- B)Afastar, temporariamente, os trabalhadores que apresentam sintomas para evitar sobrecarga, enquanto mantém os equipamentos e práticas de trabalho.
Errada, porque afastar temporariamente os sintomáticos não previne novos casos se o ambiente e o método de trabalho continuarem iguais.
- C)Conduzir um estudo epidemiológico dos sintomas relatados para realizar qualquer intervenção, visando uma abordagem baseada em evidências científicas.
Errada, porque investigar é importante, mas não deve atrasar medidas imediatas de controle do risco já identificado no setor.
- D)Implementar ajustes ergonômicos, como mesas e scanners de altura ajustável, associando pausas regulares para exercícios de alongamento e relaxamento muscular.
Certa, porque adapta o posto de trabalho e inclui pausas, atuando diretamente na causa biomecânica do adoecimento.
- E)Promover palestras sobre autocuidado, com foco na adoção de hábitos saudáveis pelos colaboradores fora do ambiente laboral, como, por exemplo, a prática de esportes e dieta equilibrada.
Errada, porque palestras sobre hábitos fora do trabalho têm baixo impacto sobre um problema que nasce da organização e da ergonomia do posto.
Gabarito: D
O caso descreve um quadro típico de distúrbio musculoesquelético relacionado ao trabalho, muito associado a esforço repetitivo, postura inadequada e ausência de ajustes no posto. Em segurança e medicina do trabalho, a prevenção mais efetiva começa na fonte do problema: adaptar o trabalho ao trabalhador, e não o contrário. Isso vale ainda mais quando vários colegas do mesmo setor já apresentam sintomas parecidos, indicando que a causa está no processo e no ambiente, não só em uma pessoa isolada. Por isso, a melhor resposta é a que traz medidas ergonômicas concretas. Ajustar mesas e scanners de altura, reduzir a necessidade de elevar o punho e permitir postura mais neutra diminui sobrecarga em punhos, mãos e membros superiores. Somar pausas regulares e exercícios de alongamento e relaxamento ajuda a reduzir a fadiga muscular e interrompe a repetição contínua dos movimentos. Essa lógica conversa diretamente com a NR-17, que trata de ergonomia e exige adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores. Em outras palavras: se o caixa está sofrendo porque o posto força repetição e postura ruim, não adianta apenas orientar o trabalhador a aguentar firme. O certo é corrigir o posto, organizar pausas e melhorar a execução da tarefa. As demais alternativas até parecem “bonitas no papel”, mas ficam curativas, genéricas ou tarde demais. Prevenção de verdade, nesse tema, é ergonomia prática: mexer no equipamento, no ritmo e na organização do trabalho para evitar adoecimento e não só remediar depois.