Não há dúvida que o caminho é desenvolver um trabalho em outra perspectiva, estimulando e refletindo sobre o papel do professor com uma postura de mediador, atuando com atividades que problematizem e estimulem o raciocínio para que o aluno possa, a partir do seu conhecimento prévio, criar e resolver situações-problema, transformando o conhecimento de senso comum em conhecimento científico. Uma atuação que não leve em conta essas questões está fadada a criar no aluno a desmotivação, porque não permite que ele aprenda, apenas memorize fatos e informações. Porém, essas questões estão relacionadas com a postura do professor diante do seu conhecimento, e do aluno, mostrando de fato qual a concepção de educação assumida. (Sonia Maria Vanzella Castellar. Cartografia escolar e o pensamento espacial fortalecendo o conhecimento geográfico, 2017. Adaptado) O texto apresenta uma proposta de trabalho em sala de aula em uma perspectiva
- A)ativa.
Errada, porque uma perspectiva ativa sozinha é genérica e não destaca, como o texto, a construção do conhecimento por mediação e interação social.
- B)mediadora.
Errada, porque o professor mediador é uma característica importante, mas o enunciado aponta para uma concepção teórica mais ampla do que apenas a mediação docente.
- C)socioconstrutivista.
Certa, porque o texto valoriza conhecimento prévio, problematização, mediação e construção de saber, elementos típicos da perspectiva socioconstrutivista.
- D)interacionista.
Errada, porque a interacionista enfatiza a interação, mas o enunciado vai além e destaca a aprendizagem como construção mediada socialmente, com transformação do senso comum em conhecimento científico.
- E)montessoriana.
Errada, porque a proposta apresentada não traz os princípios característicos do método montessoriano, como autonomia guiada, ambiente preparado e materiais específicos.
Gabarito: C
O texto defende uma prática em que o professor não é um simples transmissor de conteúdo, mas alguém que cria situações para o aluno pensar, problematizar, usar o que já sabe e construir novos conhecimentos. Em outras palavras, a aula deixa de ser só “decorar e repetir” e passa a ser um espaço de interação, reflexão e reconstrução do saber. Perceba o ponto central: o aluno parte do conhecimento prévio, enfrenta situações-problema e transforma o senso comum em conhecimento científico. Isso combina muito com a ideia de que aprender é um processo ativo, mediado pelas relações com o professor, com os colegas e com os objetos de conhecimento. Por isso, o gabarito é a letra C. A perspectiva socioconstrutivista valoriza exatamente a construção do conhecimento nas interações sociais, com mediação docente e atenção ao que o aluno já traz de experiência. A influência mais lembrada aqui é Vygotsky, com a noção de mediação e de desenvolvimento na relação com o outro, embora o texto não esteja cobrando autor, e sim a concepção pedagógica. Se a aula só exige memorização, o aluno até pode repetir na prova, mas não necessariamente aprende de verdade. Já quando o professor provoca o raciocínio e organiza desafios, ele ajuda o estudante a compreender, relacionar e produzir sentido. É aí que a aprendizagem ganha corpo, e não vira apenas uma coleção de fatos soltos.