O processo de ensino e aprendizagem da História no Ensino Fundamental – Anos Finais está pautado por três procedimentos básicos: I. Pela identificação dos eventos considerados importantes na história do Ocidente [...], ordenando-os de forma cronológica e localizando-os no espaço geográfico. II. Pelo desenvolvimento das condições necessárias para que os alunos selecionem, compreendam e reflitam sobre os significados da produção, circulação e utilização de documentos [...]. (BRASIL/Ministério da Educação. BNCC – Base Nacional Comum Curricular: Ensino Fundamental – História) O terceiro procedimento básico está relacionado
- A)ao estudo da mobilidade populacional, com suas diferentes formas de inserção ou marginalização nas sociedades estudadas, com foco nos povos de civilizações culturalmente mais desenvolvidas.
Errada, porque reduz o procedimento a mobilidade populacional e ainda traz um recorte eurocêntrico que não corresponde à proposta da BNCC.
- B)ao desenvolvimento de competências necessárias ao ofício do historiador, para que, com base na racionalidade eurocêntrica, sejam erigidas as bases necessárias da cidadania ocidental.
Errada, pois a BNCC não orienta o ensino de História para uma racionalidade eurocêntrica, mas para uma formação crítica e plural.
- C)ao reconhecimento de diferentes versões de um mesmo fenômeno, avaliando os argumentos apresentados, com vistas ao desenvolvimento de habilidades necessárias para a elaboração de proposições próprias.
Certa, porque expressa exatamente a análise de diferentes interpretações do mesmo fenômeno histórico e a construção de argumentos próprios.
- D)à valorização da história nacional republicana, considerando-se o protagonismo de diferentes sujeitos ao longo dos séculos, especialmente aos acontecimentos políticos de maior repercussão para o Brasil.
Errada, porque limita a História à narrativa nacional republicana e a eventos políticos, o que é muito mais restrito do que a proposta da BNCC.
- E)ao estudo das formas de registro da História, desde a Idade Antiga até a Idade Contemporânea, inserindo o Brasil na História Universal, a partir das Grandes Navegações, no contexto geral da Idade Moderna.
Errada, pois trata de periodização e registros históricos de modo descritivo, sem contemplar o terceiro procedimento de análise crítica de interpretações.
Gabarito: C
A BNCC organiza o ensino de História nos anos finais em procedimentos que ajudam o aluno a pensar historicamente, e não apenas decorar datas. A ideia é sair do “copiar e colar” do livro e fazer o estudante comparar tempos, espaços, fontes e interpretações, como quem monta um quebra-cabeça do passado com mais de uma peça na mesa. No trecho da BNCC citado no enunciado, os dois primeiros procedimentos aparecem claramente: identificar eventos relevantes e ordená-los no tempo e no espaço, e analisar documentos, suas produções, circulações e usos. O terceiro procedimento completa essa lógica ao levar o aluno a lidar com a pluralidade de narrativas históricas, percebendo que um mesmo fato pode ser explicado de formas diferentes. Por isso, o gabarito é a alternativa C: ela fala do reconhecimento de diferentes versões de um mesmo fenômeno, da avaliação dos argumentos e da elaboração de proposições próprias. Isso combina com a perspectiva da BNCC de formar um aluno crítico, capaz de comparar interpretações e construir entendimento histórico com base em evidências. Em termos normativos, a BNCC, homologada pela Resolução CNE/CP nº 2/2017 e incorporada ao currículo da educação básica, reforça uma abordagem investigativa e reflexiva. Em História, o foco é desenvolver competências de leitura do mundo, análise de fontes e compreensão de narrativas múltiplas, e não uma visão única, linear e engessada do passado.