Nesses “novos tempos”, “esse momento da história” que “tem recebido várias denominações: sociedade pós-moderna, sociedade do conhecimento, sociedade da informação, sociedade pós-industrial, sociedade tecnológica”, Libâneo (2018) considera que se reforça a função específica da educação e das escolas de “prover as condições intelectuais de avaliação crítica das condições de produção e de difusão do saber científico e da informação”. Em relação a esse contexto mundial, também Célia F. Linhares, in Silva Júnior (2004), posiciona-se e, depois de lembrar os conflitos armados do século XX e situações de desigualdade social, afirma que precisamos de “um processo de escolarização vivo e duradouro”, pois, sem isso, “qualquer processo de democracia e desenvolvimento sofrerá de artificialidades intransponíveis”; e adverte: “se o momento é de crise da própria civilização, dela só sairemos com uma escola que
- A)priorize as habilidades sociais de convivência tolerante, deixando, as cognitivas, em segundo plano”.
Errada, porque reduz a escola à convivência tolerante e deixa de lado a centralidade da formação cognitiva e crítica defendida no texto.
- B)prepare as novas gerações para o uso pacífico de equipamentos eletrônicos, no contexto pessoal privado, no laboral e no público”.
Errada, porque transforma a escola em treinadora de uso pacífico de equipamentos, o que é estreito demais para a função educativa apresentada.
- C)se atualize, permanentemente, inspirando-se em inovações escolares criadas por países desenvolvidos”.
Errada, porque propõe simples importação de inovações de países desenvolvidos, sem diálogo crítico com a realidade e a trajetória da escola.
- D)permita, às classes populares, ler e compreender instruções de uso de máquinas e aparelhos diversos, como simples usuário e como profissional”.
Errada, porque limita a educação ao domínio funcional de instruções de uso, algo muito abaixo da formação intelectual e cidadã mencionada no enunciado.
- E)se refaça, escapando da reprodução do já feito, mas sem abandonar a longa estrada percorrida”.
Certa, porque expressa a ideia de renovação da escola sem ruptura com sua história, exatamente como a autora defende.
Gabarito: E
A questão gira em torno da ideia de escola como espaço de formação crítica, e não apenas de transmissão de conteúdos ou adaptação mecânica ao mundo tecnológico. Em Libâneo, a escola continua essencial justamente porque deve ajudar o aluno a ler criticamente a realidade, a informação e o conhecimento que circulam na sociedade contemporânea. Em outras palavras: não basta “saber usar” o mundo novo, é preciso entender como ele funciona e o que ele produz. Célia F. Linhares segue a mesma linha ao afirmar que, diante de crises sociais e civilizatórias, não se sai delas com qualquer escola, mas com uma escola que continue sua missão histórica sem virar cópia do modismo do momento. Ela defende uma instituição que se renove, sim, mas sem romper com sua trajetória formativa. A palavra-chave aqui é equilíbrio: mudar sem apagar o que a escola construiu ao longo do tempo. Por isso, o gabarito é a alternativa E. A expressão “se refaça, escapando da reprodução do já feito, mas sem abandonar a longa estrada percorrida” traduz exatamente essa postura: uma escola capaz de se reinventar, mas sem perder sua identidade, sua memória pedagógica e seu papel social. Isso conversa com a função social da escola prevista na LDB (Lei 9.394/1996), que inclui formação plena, exercício da cidadania e preparo para o trabalho. A banca costuma cobrar esse tipo de leitura fina do texto: não quer uma escola apenas “tecnológica”, nem apenas “tolerante”, nem limitada a treinar usuários. Quer a ideia de escola crítica, histórica e transformadora, que acompanha o tempo sem virar refém dele.