Construir uma aprendizagem na aula cujos resultados sejam previsíveis e cujas particularidades sejam reproduzíveis exige uma análise rigorosa da relação entre o ensino e a aprendizagem, da qual se ocupa a didática da matemática. Conforme Moreno (In: Panizza et al., 2006), o objetivo central da didática da matemática é poder
- A)observar os momentos em que os alunos empregam estratégias aprendidas em sala para alcançar resultados matemáticos esperados pelo professor.
Errada, porque reduz a aprendizagem ao uso de estratégias já aprendidas para atingir resultados esperados pelo professor, sem destacar a construção de novos conhecimentos.
- B)compreender os processos por meio dos quais os alunos repetem procedimentos como estratégias que resultem na reprodução de conteúdos matemáticos.
Errada, porque valoriza a repetição de procedimentos e a reprodução de conteúdos, o que contraria a ideia de aprendizagem como construção.
- C)identificar as condições nas quais os alunos mobilizam saberes na forma de ferramentas que conduzam à construção de novos conhecimentos matemáticos.
Certa, porque expressa a mobilização de saberes como ferramentas para que o aluno construa novos conhecimentos matemáticos.
- D)examinar as circunstâncias nas quais os alunos utilizam números como referências para solucionar problemas previamente trabalhados em sala de aula.
Errada, porque limita a situação a problemas já trabalhados e ao uso de números como referência, sem o sentido de produção de conhecimento.
- E)descobrir as situações nas quais os alunos seguem instruções explícitas para aplicar técnicas que favoreçam a memorização de conteúdos matemáticos.
Errada, porque foca em seguir instruções e memorizar conteúdos, o que é mecânico e não representa o objetivo central da didática da matemática.
Gabarito: C
A didática da matemática não trata de fazer o aluno apenas repetir conta, decorar regra ou seguir receita. Ela quer entender como o conhecimento matemático se constrói na sala de aula, isto é, em quais condições o aluno consegue mobilizar o que sabe para resolver problemas e, a partir disso, produzir novos conhecimentos. Em outras palavras, o foco não está na simples reprodução, mas na aprendizagem com sentido, em que os saberes viram ferramentas de pensamento. É por isso que a ideia central, em Moreno, vai nessa linha: observar as condições em que o aluno usa seus conhecimentos matemáticos de modo ativo, para avançar intelectualmente. Isso combina com a visão da didática da matemática como estudo da relação entre ensino, aprendizagem e produção de saberes, e não como um treino mecânico. O aluno não é uma copiadora humana - ele precisa pensar, relacionar, testar e reconstruir. A alternativa C está correta porque fala justamente em identificar as condições nas quais os alunos mobilizam saberes como ferramentas para construir novos conhecimentos matemáticos. Essa é a chave: saber não como fim em si, mas como instrumento para resolver situações e aprender mais. As demais alternativas escorregam para ideias de reprodução, memorização, repetição de procedimentos ou simples aplicação de técnicas. Isso até pode aparecer em aula, mas não expressa o objetivo central da didática da matemática segundo o enunciado. O foco é a construção do conhecimento, não a vitrine da repetição.