Maria Teresa Mantoan (Inclusão escolar: O que é? Por quê? Como fazer?, 2015) apresenta a inclusão como uma mudança de paradigma. Nesse sentido, a autora recorda o papel da crise de paradigmas, que entende como
- A)uma instabilidade transitória que se resolve com ajustes delimitados e pontuais em um modelo já existente.
Errada, porque descreve apenas ajustes pontuais em um modelo já pronto, e Mantoan fala de mudança profunda de paradigma.
- B)uma consequência natural do avanço tecnológico e do acúmulo progressivo de conhecimento, em que a inovação tem caráter incremental.
Errada, porque reduz a crise a evolução incremental e tecnológica, quando aqui a ideia é ruptura de visão de mundo.
- C)uma crise de concepção ou de visão de mundo da qual emergem revoluções científicas quando as mudanças são mais radicais.
Certa, porque expressa a noção de crise de concepção que pode levar a mudanças radicais, bem próxima da leitura de Thomas Kuhn.
- D)uma reprodução de ideias fixas, que não se renovam mesmo havendo alteração no contexto enfrentado, impedindo a disrupção necessária.
Errada, porque fala em repetição de ideias fixas e nega a renovação, o que contraria a noção de crise paradigmática.
- E)um fenômeno tipicamente educativo em que prevalece o senso comum sobre as teorias científicas da Pedagogia.
Errada, porque desloca o tema para o senso comum versus teoria científica, sem tratar da crise de paradigma e da mudança de concepção.
Gabarito: C
Maria Teresa Mantoan usa a ideia de inclusão escolar como mudança de paradigma para mostrar que não basta “dar um jeitinho” na escola tradicional: é preciso mudar a forma de pensar a diferença, o ensino e a participação de todos. Em vez de tratar o aluno com deficiência como exceção, a escola passa a se reorganizar para acolher a diversidade como regra da vida real. Isso é paradigma novo, não remendo em modelo velho. A expressão “crise de paradigmas” vem da ideia de que, quando um modo de entender o mundo já não explica bem os fatos, surge uma tensão entre o que existia e o que começa a nascer. Na ciência, isso se aproxima da noção de revolução científica de Thomas Kuhn: a crise é uma crise de concepção, de visão de mundo, e pode abrir caminho para mudanças mais radicais. É exatamente isso que a alternativa C descreve. Ela fala em crise de concepção ou de visão de mundo da qual emergem revoluções científicas quando as mudanças são mais radicais. Mantoan aplica essa lógica à educação inclusiva: não é ajuste superficial, é mudança de base. A escola deixa de funcionar como filtro e passa a funcionar como espaço de participação. Na prática, isso significa abandonar a lógica da homogeneização e aceitar que aprender não ocorre do mesmo jeito para todo mundo. A inclusão, nessa leitura, não é favor nem adaptação mínima: é reorganização do paradigma escolar. Por isso, o gabarito é C.