Na luta contra atitudes sexistas, é importante trazer para o interior da escola as reflexões e discussões sobre os papéis que a sociedade atribui a cada sexo, a fim de que professoras(es) e alunas(os) descubram as limitações a que estão sujeitas(os) caso se submetam aos estereótipos de gênero. Conforme Pupo (2012), a linguagem oral, por exemplo, reflete essa discriminação sexista e reforça o modelo linguístico . Existem palavras para denominar o indivíduo do sexo masculino e outras para o sexo feminino, mas quando, por razões de economia, é preciso utilizar uma forma comum para se referir a indivíduos de ambos os sexos, a opção é sempre pelo termo no masculino (o homem, senhores pais, prezados alunos), dessa forma, a identidade sexolinguística feminina fica distorcida. Assinale a alternativa que preenche corretamente a lacuna.
- A)Policêntrico.
Policêntrico não é o termo usado para descrever a centralidade do masculino na linguagem.
- B)Concêntrico.
Concêntrico não tem relação com sexismo linguístico nem com a ideia de masculino como padrão.
- C)Agocêntrico.
Agocêntrico não corresponde ao conceito pedagógico-linguístico cobrado na questão.
- D)Androcêntrico.
Correta: androcêntrico é o modelo que toma o masculino como centro e o usa como referência universal.
- E)Antropocêntrico.
Antropocêntrico remete ao ser humano em geral, não ao privilégio do masculino sobre o feminino.
Gabarito: D
A questão trata de linguagem sexista, isto é, do uso da língua de modo a privilegiar um gênero e tornar o outro invisível. Em ambientes escolares, isso importa muito, porque a forma como a gente fala também ensina: ela pode reforçar estereótipos ou ajudar a quebrá-los. Quando o masculino é usado como forma “genérica” para se referir a homens e mulheres, a mensagem simbólica passada costuma colocar o masculino como padrão. É exatamente aí que entra o termo pedido na questão. Segundo a análise de Pupo (2012), esse modelo linguístico é o androcêntrico, porque toma o masculino como centro da referência e da representação social. Em outras palavras: o homem vira a régua pela qual tudo é medido, e a presença feminina fica apagada ou diluída no discurso. Por isso, expressões como “os alunos”, “os senhores pais” ou “o homem” usadas para grupos mistos não são neutras do ponto de vista social. Elas carregam uma escolha cultural e ideológica. A escola, ao discutir isso, contribui para o que a LDB (Lei 9.394/1996) e as diretrizes educacionais defendem de forma ampla: formação para a cidadania, respeito à diversidade e combate a discriminações. Então, o gabarito é a alternativa D, porque androcêntrico é aquilo que coloca o masculino no centro e trata o feminino como secundário. Em linguagem de prova: o enunciado descreve justamente a lógica em que o masculino vira forma padrão para representar ambos os sexos.