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Pedagogia · VUNESP · 2023

Questão comentada de Pedagogia

Em Racismo e antirracismo na educação: repensando nossa escola, Cavalleiro (2001) relata que realizou observação em uma escola de educação infantil por oito meses, e narra que durante a pesquisa uma menina de seis anos disse: “as crianças me xingam de preta que não toma banho. Só porque eu sou preta elas falam que eu não tomo banho. Ficam me xingando de preta carvão. Elas me xingam de preta fedida. Eu contei para a professora e ela não fez nada”. No texto, considerando os estudos realizados, Cavalleiro declara e defende que

Gabarito: C

A questão trata de racismo na escola e da obrigação institucional de enfrentá-lo de forma ativa, e não com silêncio ou minimização. Nos estudos de Cavalleiro, a escola não aparece como um lugar neutro: quando o adulto se omite diante da ofensa racista, a mensagem que fica para a criança negra é de desamparo, e para a criança que agride é de permissão. Ou seja, a omissão também educa, só que educa para a repetição da violência. É por isso que o gabarito está na alternativa C. Cavalleiro defende que a falta de intervenção do professor banaliza a discriminação racial, reforçando a ideia de que o racismo é tolerado no cotidiano escolar. A criança discriminada percebe que não pode contar com o educador; a criança que discrimina entende que pode continuar, porque nada acontece. É uma leitura muito coerente com a educação antirracista: não basta "não ser racista", é preciso agir para interromper o racismo quando ele aparece. Esse entendimento conversa diretamente com a Lei 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino de História e Cultura আফro-Brasileira, depois ampliada pela Lei 11.645/2008, além das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais. A escola deve formar para o respeito à diversidade e combater preconceitos de modo permanente, em todo o ambiente escolar, não apenas quando o problema explode na frente de alguém. Em resumo: racismo na escola não se resolve com silêncio, frase pronta ou "deixa pra lá". Quando o adulto não intervém, ele não fica neutro; ele toma partido da continuidade da discriminação. E é exatamente essa crítica que Cavalleiro faz.

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