Na obra Práticas avaliativas e aprendizagens significativas, Jussara Hoffmann (In: Silva; Hoffmann; Esteban, 2003) defende que a avaliação da aprendizagem deve levar em conta
- A)a importância do controle para o alcance dos comportamentos planejados.
Errada, porque a autora critica a avaliação centrada no controle e na previsão de comportamentos como se aprender fosse apenas obedecer a metas fechadas.
- B)as múltiplas dimensões do ensino nas diferentes áreas do conhecimento.
Certa, porque Hoffmann defende uma avaliação atenta às múltiplas dimensões do ensino e às especificidades das diferentes áreas do conhecimento.
- C)a necessidade do diálogo para perguntar e obter respostas adequadas.
Errada, porque o diálogo é importante na avaliação mediadora, mas a alternativa reduz a avaliação a perguntar e obter respostas adequadas, o que é limitado demais.
- D)os mecanismos para observar e registrar resultados.
Errada, porque observar e registrar são procedimentos úteis, mas não resumem a concepção de avaliação defendida por Hoffmann, que é mais ampla e formativa.
- E)o tratamento igualitário e homogêneo na avaliação dos diferentes alunos.
Errada, porque a autora não propõe tratamento homogêneo e igualitário no sentido de padronizar a avaliação, já que considera as diferenças entre os alunos.
Gabarito: B
Jussara Hoffmann trabalha com uma visão de avaliação formativa, isto é, a avaliação não serve só para medir no fim, mas para acompanhar a aprendizagem enquanto ela acontece. Nesse olhar, o foco sai do simples “acertou ou errou” e vai para como o aluno aprende, o que já construiu e o que ainda precisa de mediação. É uma avaliação que conversa com o processo, com o contexto e com as diferenças entre os estudantes. Na obra citada, a autora defende que avaliar a aprendizagem exige considerar as múltiplas dimensões do ensino, especialmente porque aprender não é uma linha reta nem acontece igual em todas as áreas do conhecimento. Cada componente curricular tem linguagem, objetivos, formas de pensar e modos de participação diferentes. Por isso, a avaliação precisa acompanhar essas singularidades, sem reduzir tudo a uma prova padronizada. É justamente por isso que a alternativa B está correta: ela traduz essa ideia de olhar para o ensino de forma ampla, reconhecendo que a aprendizagem se manifesta de maneiras diferentes conforme a área e a situação didática. Em vez de tratar a avaliação como algo frio e único, Hoffmann defende um processo mais sensível ao percurso do aluno e às múltiplas dimensões do ato de ensinar. Em linguagem de concurso: a autora se afasta da lógica classificatória e se aproxima de uma avaliação mediadora, diagnóstica e processual. Então, se a questão falar em controle rígido, homogeneização ou mera coleta de resultados, desconfie: esse não é o clima da Hoffmann.