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Pedagogia · VUNESP · 2022

Questão comentada de Pedagogia

Renan participou de uma oficina sobre “educação integral”. Nela, o responsável esclareceu que “educação integral” diz respeito ao desenvolvimento conjunto de várias dimensões de um indivíduo, diferenciando-a de “educação em tempo integral” que consiste em um período maior de atividades dentro da escola. Interessado pelo tema, Renan leu o texto de Cavaliere (2014), no qual a autora esclarece que “Dada a multiplicidade de significados atribuíveis à expressão educação integral, é necessário fixar alguns de seus elementos intrínsecos: ela trata o indivíduo como um ser complexo e indivisível; no âmbito escolar, se expressa por meio de um currículo, também integrado, e que não é dependente do tempo integral, embora possa se realizar melhor com ele; se empenha na formação integral do indivíduo em seus aspectos cognitivos, culturais, éticos, estéticos e políticos”. Cavaliere conclui dizendo que acrescentaria, ainda, que a “educação integral” somente é defensável, em uma versão escolarizada, se tiver como prática e horizonte

Gabarito: E

A expressão “educação integral” não é sinônimo de ficar mais tempo na escola. Ela aponta para uma formação ampla, que olha o estudante como um ser inteiro, com dimensões cognitivas, culturais, éticas, estéticas, políticas e também sociais. É a ideia de que a escola não deve trabalhar só conteúdo, mas formar sujeitos completos, com sentido de pertencimento e participação na vida coletiva. Cavaliere (2014) destaca justamente isso: a educação integral depende de um currículo integrado e de uma visão de totalidade do indivíduo. O tempo integral pode ajudar, mas não é o elemento definidor. Dá para ter educação integral sem jornada ampliada, embora a ampliação do tempo possa facilitar práticas mais ricas e articuladas. Por isso, quando a autora acrescenta que essa proposta só é defensável, em sua versão escolarizada, se tiver como prática e horizonte um sentido público e democrático, ela está dizendo que a escola deve formar para a vida em comum, para a cidadania e para a democratização do acesso aos saberes. Não é uma educação “para alguns”, nem uma escola só de assistência ou custódia. É uma proposta que se ancora no direito à educação com formação plena. Esse raciocínio conversa com a LDB (Lei 9.394/1996), especialmente quando trata da educação básica voltada ao pleno desenvolvimento do educando, e também com a concepção constitucional de educação como direito de todos e dever do Estado, com preparo para o exercício da cidadania. Em resumo: educação integral não é só mais horas, é mais sentido público, mais democracia e mais formação humana.

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