Leia o trecho de uma reportagem abaixo: O caso da estudante de biomedicina de 44 anos em Bauru, que sofreu este preconceito por três jovens só por estar cursando faculdade depois dos 40 anos, ganhou repercussão nacional depois que um vídeo gravado por elas, criticando a presença da estudante na universidade, viralizou e chegou a mais de um milhão de visualizações em menos de 24 horas. “O preconceito no Brasil é resultado de um país colonial, despolitizado, elitista e excludente. Mesmo com vários movimentos em prol de educação humanizadora em governos de caráter popular, este preconceito acontece. O que necessitamos é de uma política nacional de uma educação permanentemente e humanizadora tanto nas escolas, nas universidades, quanto na sociedade. O preconceito com pessoas adultas ou idosas nas escolas e universidades é fruto da ignorância e da estupidez”, afirma o secretário de Aposentados e Assuntos Previdenciários da CNTE, Sérgio Antônio Kumpfer. Disponível em: https://cnte.org.br/index.php/menu/comunicacao/posts/noticias/75922-o-etarismo-e-prejudicial-para-educacao-comoqualquer-outra-forma-de-preconceito. Acesso em: 16/04/2023. A situação vivenciada pela estudante está em desacordo com qual dos princípios assegurados pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional?
- A)Garantia de padrão de qualidade.
Errada, porque padrão de qualidade trata das condições e do nível da oferta educacional, não do combate ao preconceito etário.
- B)Valorização da experiência extraescolar
Errada, porque valorizar a experiência extraescolar é importante, mas não é o princípio diretamente violado pela discriminação narrada.
- C)Vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais.
Errada, porque a vinculação entre educação, trabalho e práticas sociais é um princípio da LDB, mas não é o foco da situação descrita.
- D)Consideração com a diversidade étnico-racial.
Errada, porque a questão fala de etarismo, e não de discriminação étnico-racial.
- E)Garantia do direito à educação e à aprendizagem ao longo da vida.
Certa, porque a LDB assegura o direito à educação e à aprendizagem ao longo da vida, o que impede qualquer preconceito contra quem volta ou permanece estudando na vida adulta.
Gabarito: E
A LDB não trata a escola como um clube com idade de entrada e saída. Ela parte da ideia de que a educação é um direito de todos e deve acompanhar a pessoa ao longo da vida, inclusive na fase adulta e na velhice. Por isso, preconceito contra alguém que decide estudar depois dos 40 anos fere a lógica da educação inclusiva e permanente. No caso da reportagem, o problema não é só a grosseria das estudantes, mas a ideia de que existe idade “certa” para frequentar a universidade. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, no art. 3º, traz entre os princípios do ensino a garantia do direito à educação e à aprendizagem ao longo da vida, o que reforça que aprender não tem prazo de validade. Esse princípio conversa diretamente com a Educação de Jovens e Adultos, com a educação inclusiva e com a valorização das trajetórias pessoais. Em outras palavras: experiência de vida não desqualifica o estudante, ao contrário, pode enriquecer o ambiente acadêmico. A sala de aula não é passarela de juventude, é espaço de formação humana. Por isso, o gabarito é a alternativa E. A situação vivenciada pela estudante desrespeita justamente a garantia de que qualquer pessoa pode estudar e aprender em diferentes momentos da vida, sem discriminação etária.