No contexto das transformações teóricas e políticas advindas das reformas educacionais ocorridas a partir dos anos de 1990, no campo da Administração/Gestão Escolar, destaca-se a natureza política da função do(a) diretor(a) ou gestor(a) da escola no que tange à imbricação e mescla entre os conceitos de direção e de gestão, evidenciando que:
- A)Atualmente, a função do gestor escolar iguala-se com a função de gerente nos moldes do estado liberal capitalista.
Errada, porque reduz o gestor escolar a um gerente do modelo liberal-capitalista, ignorando a dimensão pedagógica, política e democrática da função.
- B)A ação prática dos(as) gestores(as), na contemporaneidade, indica menor dedicação às atividades administrativas do que às atividades pedagógicas, confirmando assim a concepção da escola clássica.
Errada, pois não confirma a escola clássica e ainda inverte a lógica ao dizer que há menos dedicação administrativa do que pedagógica como regra geral.
- C)No cotidiano das escolas, parece que há um pouco de cada concepção, na medida em que tanto encontramos experiências alargadas de horizontalidade e democratização na gestão escolar, com a plena separação entre diretor e gestão, como ainda é comum, especialmente nas escolas cujos diretores foram indicados politicamente, vermos a gestão subsumida ao diretor, confundindo-se pessoa e processo.
Certa, porque reconhece a convivência entre práticas democráticas e centralizadoras, mostrando a mistura entre direção e gestão no cotidiano escolar.
- D)O perfil e as práticas dos(as) dirigentes escolares, são definidos pelas orientações institucionais padronizadas no âmbito da escola e comunidade.
Errada, porque trata as práticas do dirigente como se fossem definidas apenas por orientações padronizadas, sem considerar conflitos, contexto e disputa política.
- E)A proposta da Gestão Democrática vem sendo efetivada satisfatoriamente, na realidade educacional brasileira com a existência e a ampliação de instrumentos reguladores como Conselho Escolar e Projeto Político Pedagógico, indicando a prevalência da democracia na escola.
Errada, porque exagera ao dizer que a gestão democrática já foi efetivada satisfatoriamente, o que não corresponde à realidade educacional brasileira.
Gabarito: C
A questão trata da mudança, a partir dos anos 1990, na forma de pensar a administração escolar no Brasil. Nesse período, com as reformas educacionais e o discurso da gestão democrática, a escola passa a ser vista menos como um espaço de comando centralizado e mais como um ambiente de participação, negociação e disputa política. Só que essa passagem não acontece de modo limpo ou linear: na prática, convivem modelos diferentes no mesmo cotidiano escolar. É por isso que a banca fala em imbricação e mescla entre direção e gestão. Em muitas escolas, ainda existe a figura do diretor que concentra poder, especialmente quando a escolha é política e não democrática. Ao mesmo tempo, há experiências de horizontalidade, colegialidade e participação, em que a gestão vai além da pessoa do diretor e se distribui entre sujeitos e instâncias da escola. O gabarito é a letra C porque ela traduz exatamente essa coexistência de concepções. Ela reconhece que, no dia a dia, ainda se mistura uma lógica tradicional, centrada na figura do diretor, com práticas mais democráticas de gestão. Ou seja, a escola real não é um laboratório perfeito: ela carrega um pouco do velho e um pouco do novo ao mesmo tempo. Em termos legais, isso dialoga com o art. 206, VI, da Constituição Federal, que prevê a gestão democrática do ensino público, e com a LDB (Lei 9.394/1996), art. 14, que reforça a participação dos profissionais da educação e da comunidade escolar. Mas a existência da norma não elimina automaticamente as práticas autoritárias, e é justamente essa tensão que a questão quer mostrar.